Viola atômica tira as amarras da tradição

A viola vive em uma prisão estética de onde só saiu poucas vezes, resgatada por cabeças destemidas. Caçapa, músico de 15 anos de estrada, faz agora a função do honesto reinventor. Elefantes da Rua Nova é disco de um violeiro que não se esconde nem sob o "véu inquestionável" da tradição nem nas costas da experimentação. Ele simplesmente pluga suas violas (algumas de dez cordas, chamadas atômicas) em amplificadores, as faz passar por pedais de efeitos como se fossem guitarras e investe nas afinações abertas para criar seus temas. Sobrepõe um instrumento a outro e usa muito contrabaixo (na verdade, o violão baixo) e percussão do coco de roda para reforçar sua identidade. Mas a música também é feita de armadilhas. Ao tirar a viola de sua roça de conforto, Caçapa a leva para outro sítio de porteira fechada. As intenções começam a parecer muito iguais na quarta faixa, e assim fica difícil para ele aumentar a paleta de sensações que todo artista deve oferecer ao ouvinte. É um dilema para Caçapa. O primeiro passo ele já deu.

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