Fábio Motta/ AE
Fábio Motta/ AE

Vinicius Cantuária está de volta com CD 'Samba Carioca'

Mais reconhecido no exterior do que aqui, cantor lança disco no País após mais de dez anos

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2011 | 11h28

RIO - Desde que trocou o Rio pelo Brooklyn (Nova York) em meados da década de 1990, Vinicius Cantuária tem lançado álbuns regularmente no exterior, é bastante requisitado no circuito internacional de jazz, mas nesse tempo só teve um CD editado no Brasil (Tucumã, de 1999), sem grande repercussão, e nunca mais fez shows por aqui. Agora ele está de volta com o sofisticado álbum Samba Carioca (Biscoito Fino) e se prepara para voltar aos palcos cariocas. Amigo do guitarrista americano Bill Frisell há dez anos, também vai ter outro trabalho com ele, Lágrimas Mexicanas, lançado por aqui em 2012. "Temos convites para ir a Buenos Aires, Santiago e Montevidéu. Vai ser uma vergonha não tocar no Brasil", diz Cantuária.

 

Entre composições inéditas, sozinho ou em parcerias com Marcos Valle, Arto Lindsay, Paulo Sérgio Valle e Liminha, ele regravou dois clássicos bossa-novistas da década de 1960, Vagamente (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli) e Inútil Paisagem (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira). Compositor e instrumentista múltiplo (violão, bateria, teclado, percussão), Cantuária é apontado por críticos internacionais como uma espécie de "novo Tom Jobim".

 

Para ele a referência é bem-vinda, mas ao mesmo tempo revela que na visão do estrangeiro a música brasileira não se renovou, por isso se fala sempre nas mesmas pessoas. No novo CD, além de feras do jazz - Frisell e o pianista Brad Mehldau - Cantuária reuniu outros grandes músicos brasileiros referenciais: os pianistas João Donato e Marcos Valle (representantes de duas fases da bossa nova) e os três contrabaixistas Luiz Alves (do lendário grupo Som Imaginário), Liminha e Dadi (do universo pop tropicalista).

 

De certa forma, reunindo músicos atuantes e renovadores até hoje, é que ele prova que há continuidade na música brasileira. "Juntei esses caras todos propositalmente para provar que essas coisas estão todas aí, é só você pinçá-las." Ao mesmo tempo, o tom do CD é nostálgico. "Quando gravei esse disco lá fora em 2009, pensei no Rio dos anos 1960/70. Eu era garoto, mas me lembro que as pessoas diziam que iam no Chico's Bar. Você tinha essa referência do pianista no bar, tocando aquele tipo de repertório."

 

O que ele expressa, no entanto, não é o saudosismo típico de quem vai morar em terra estrangeira, até porque ele visita o Brasil regularmente. "O espírito é de saudade desse movimento de música que não existe mais. As pessoas acham que vêm pra cá e em todo lugar vai ter alguém com um banquinho e um violão. Hoje isso existe só na nossa fantasia."

 

O autor e intérprete do hit "Só Você" tem parcerias com Chico Buarque (Ludo Real) e Caetano Veloso (Sutis Diferenças) e obteve na voz do baiano um de seus maiores êxitos, Lua e Estrela. "Foi um sucesso pop, que me ajudou e me atrapalhou, as pessoas ficavam esperando que eu repetisse aquilo", diz. "Desde 1994 não dependo do Brasil para nada. Tudo o que me acontecer aqui agora vai ser muito bom."

 

Contratado da gravadora francesa Naïve, seu próximo voo vai ser mais alto. Em 2012 Cantuária planeja gravar um CD - que já tem título provisório, As Ilhas - só com trios de baixo, piano e bateria, como João Donato, Robertinho Silva e Luiz Alves; Herbie Hancock, Jack DeJohnette e Ron Carter.

 

Tudo o que sabemos sobre:
músicaVinicius Cantuária

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.