Vilarrubia explora mitos da América em livro

Cidades perdidas, "aparições" de criaturas fantásticas e outros fenômenos intrigantes são alguns dos enigmas que o brasileiro Pablo Vilarrubia explora em sua obra Uma viagem mágica pelos mistérios da América, seu itinerário particular pelo mais sombrio deste continente insólito. Durante mais de doze anos, esse aventureiro e jornalista de origem espanhola percorreu selvas, desertos, rios e montanhas da América Latina e aprendeu a captar - segundo ele mesmo diz - "essa energia sutil que propaga por sua terra e sua gente". Como expressa o escritor espanhol Alberto Vázquez Figueroa no prólogo do livro recém editado na Espanha, "teimoso e firme, Vilarrubia busca os mares tenebrosos da história não escrita".Esta história do insólito aparece no livro em forma de "relato de viagem" e é rica em informação bibliográfica, documentação e entrevistas com antropólogos e outros aventureiros. Certamente são os depoimentos reais dos camponeses ao longo da viagem, que incluem lendas e observação de luzes pelas redondezas das ruínas pré-colombianas, o que mais interessa a Vilarrubia. Entre os mitos e as lendas narrados por locais, o que mais impressionou o autor foi a coincidência de vários depoimentos de diferentes países latino americanos.Eles falavam de um ser abominável, alto, coberto de pêlo como um macaco e que deixa pegadas enormes. Para o autor, não há dúvida de que se trata do "yeti" latino americano, conhecido como "selvagem", no México, "ucumar" na Argentina e "sisimite" ou "itacayo" em Honduras. Foi precisamente neste último país que Vilarrubia encontrou um dos lugares mais curiosos de sua jornada: o museu de Rufino Gálan. "É como um armazém gigante - Galán assegura que entre seus objetos estão ossos de gigantes", comenta ele. O museu está instalado entre quatro paredes de lata e madeira que ocultam verdadeiros tesouros históricos e arqueológicos, quase arrastados pelo furacão Mitch. No entanto, o livro não é um guia com dados práticos como hospedagens e transportes, "por falta de tempo" reconheceu o escritor. Ele apenas oferece pistas para que o leitor interessado possa localizar-se nos lugares descritos. Demonstrando-se um pouco avesso às turmas de turistas que invadem regiões como Tikal (a Manhattan dos maias), o Tzitzén Itzá (o reino da serpente emplumada), Vilarrubia preferiu não revelar algumas de suas descobertas para protegê-los da avidez das agências de viagem. Uma de suas mais intrigantes explorações foi realizada na Bahia, à procura das cidades de pedra perdidas cuja existência, segundo ele foi marcada pela habitação das civilizações mais antigas da terra. Muita sorte foi entrevistar um rico fazendeiro baiano que lhe mostrou um manuscrito de Hermann Kruze com a localização das ruínas, e o conduziu à Serra Geral de Monte Alto, onde estão misteriosos vestígios megalíticos. Não mais conhecido mas também fantástico, é o caso da meseta peruana de Nazca, onde uma infinidade de linhas propagam grandes figuras no ar. Vilarrubia apresenta várias teorias que já tentaram explicar o fenômeno e expõe a sua. Segundo ele, os desenhos de Nazca poderiam estar relacionados ao chamanismo. Os ritos que eram celebrados na região incluíam a ingestão de algum tipo de alucinógeno que provocava o desdobramento da alma. A alma podia sair de seu corpo e observar as figuras como se estivesse voando, ressalta. Capítulos sobre os monumentos sagrados em Rafí (Argentina), as esferas de pedra no Diquís (Costa Rica), as rochas de Salto (Uruguai) ou as estranhas cabeças-tiara do vale do Encanto (Chile) são outras etapas da viagem de um "curioso para curiosos" por terras de um continente não restam dúvidas de que o realismo é mágico.

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