Marcio Nunes/TV Globo - Divulgação
Marcio Nunes/TV Globo - Divulgação

Vilão dita o ritmo de 'Insensato Coração'

Dá para apostar que história de Léo será a mais interessante; já cena com os mocinhos não rolou bem

Patícia Villalba, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

É injusto e errado julgar uma novela que terá mais de 200 capítulos logo pelo primeiro. É claro que todos os esforços se concentram para fazer da estreia um programa impactante, mas não há impacto maior do que o de um ator à vontade no seu personagem, o que realmente só acontece depois de algum tempo. Mesmo assim, é capaz que já dê para apostar que a história de Léo (Gabriel Braga Nunes), e tudo à volta dele, seja o mais interessante de Insensato Coração. A nova novela das 9 da Globo marcou 36 pontos de média no Ibope na estreia, segundo dados prévios, com 59% de participação na audiência (share) anteontem.

Vilania. Para quem acompanha sua carreira, não é surpresa que o vilão do autor Gilberto Braga seja o grande destaque da novela. Foi assim por exemplo com Vale Tudo (1988), palco de Maria de Fátima (Glória Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segall), e, mais recentemente, com Paraíso Tropical (2007), na qual Bebel (Camila Pitanga), uma, digamos, semivilã, e Olavo (Wagner Moura) roubaram a cena dos mocinhos. Agora, assinando em parceria com Ricardo Linhares, Gilberto começou Insensato Coração pela ótica do Léo ainda criança, que compete em silêncio com o irmão bonzinho, Pedro (Eriberto Leão).

Em seguida, Gabriel Braga Nunes entrou em cena, ao som de Satisfaction, que parece resumir bem o personagem - a música nas novelas dessa dupla nunca vem sem significado. Chamado às pressas para substituir Fábio Assunção, que deixou o elenco, Gabriel deixou claro neste primeiro capítulo que fará um bom trabalho.

Sem emoção. Para Eriberto, entretanto, a tarefa é árdua - interpretar o herói é jogo duro, como se pode imaginar. Na que era para ser a grande cena, quando o avião em que ele e Marina (Paola Oliveira) estão é sequestrado, a coisa não rolou bem. O Jonas (Tuca Andrada) suando em bicas, um piloto morto no chão, o avião dando rasantes e os figurantes, no fundo do avião, bem, faltou emoção. Faltou também uma sonorização mais adequada. No momento em que os mocinhos se esbarraram, ouve-se o eco da voz de Paola. Eco em avião?

A se lamentar a morte do personagem de Tuca Andrada, em participação relâmpago, apesar de ela ser mesmo necessária para o andar da história.

Produção de arte. Fora isso, as cenas são lindas, mantendo o padrão das mega produções da Globo. A produção de arte é impecável, e há objetos lindos em cena - a novela, afinal, passa-se no mundo do design.

Só não deu pra entender por que "fãs" estariam na porta de uma boate dando gritinhos para o André Gurgel. Será que o nível de tietagem sem noção chegou a isso? Ou será que as tietes pensaram que era o Lázaro Ramos?

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