Vilão? Ator desconstrói imagem que o consagrou na TV e no cinema

Michael Emerson

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2011 | 03h07

Com tantos papéis sinistros no currículo, é estranho imaginar Michael Emerson sorridente e gentil, andando com seu poodle pelos corredores do estúdio, cena que o Estado presenciou durante visita ao set de gravações da série Person of Interest, em Nova York. "Eu e minha mulher (Carrie Preston, a Arlene de "True Blood") tínhamos compromisso. Alguém tinha de levar o cachorro passear (risos)", disse, bem-humorado.

Em entrevista, o ator de 57 anos - que levou o Emmy pelo serial killer William Hinks, de The Practice, interpretou o sádico Zep Hindle, do filme Jogos Mortais 1 e virou hit após o misterioso vilão Ben Linus de Lost - falou sobre seu mais novo (e estranho) personagem e negou a imagem de "homem perigoso". "Sou das pessoas menos perigosas do mundo."

Após um personagem muito marcante, deve ser difícil partir para o próximo. Como os fãs de Lost reagiram?

Sim, é difícil...mas não deixo que seja um grande problema. Person of Interest já tem oito episódios nos EUA, e muita gente me para pra dizer que está adorando. Gente menos jovem e mais da minha idade, que talvez nunca tenha visto Lost. É legal atingir um novo público que não liga para o que fiz antes.

Com 35 anos no teatro, como é interpretar personagens dos quais você não sabe o passado nem o futuro?

No começo, achava mais difícil, porque ia contra o que aprendi, contra meus hábitos. No teatro, você traz um mundo para um curto espaço de tempo. Em TV não precisa condensar informação. Foi um alívio quando, em Lost, percebi que tudo bem eu não saber quem eu era, de onde eu vinha e para onde eu ia. O que sabia era suficiente para viver o momento. Às vezes é mais divertido. Quando voltar ao teatro descobrirei que não sei mais atuar (risos).

Você têm interpretado homens sinistros em tramas que nos fazem repensar a noção de realidade. É coincidência?

Não sei. Acho que é um pouco do meu gosto por esse tipo de produto. Tendo a gostar de roteiros de mistério e ambiguidade. Sempre fico feliz quando resisto aos clichês. Mas claro que quero fazer algo diferente. Um santo, alguém que não pode falar ou alguém bem bobo. Até porque, antes de entrar para a TV, a maioria das peças que fiz era comédia. É estranho pensar que as pessoas me veem como alguém sinistro, perigoso.

Como é pra você ficar tão famoso só após os 50?

Não sou exatamente um sucesso repentino, né? Mas todo mundo sonha em fazer sucesso. Pra mim, tudo bem ter acontecido tão tarde ou isso pode te mimar. Quando você chega a uma certa idade, seu estilo de vida está estabelecido. Não é agora que vou participar de corridas de carro ou escalar montanhas. Vou continuar fazendo coisas que sempre fiz.

Agora que está muito famosos, você se sente vigiado?

Sim. Uma vez li num desses guias turísticos de Manhattan: "e se você caminhar pela 10º Avenida, talvez possa reconhecer Michael Emerson com seu cachorro". Me senti meio parte da paisagem turística da cidade (risos).

Você monitorava uma ilha em Lost e, agora, é um gênio da computação. Você entende de tecnologia?

Sou péssimo com isso. É engraçado, porque eu interpreto um gênio da computação e, em casa, tenho de ligar pra minha mulher e perguntar: "Me diz de novo, querida, como faço pra ligar o DVD?" Ela é toda ligada em eletrônicos, e eu fico com a cozinha e a decoração. Invertemos os papéis tradicionais. Então, pode crer que tanto em Lost quanto agora, estou puramente atuando (risos). / A. D.

Ator que coleciona tipos sinistros vive protagonista de Person of Interest

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