Vilã na ficção, Famke Janssen banca a boa moça

Estrela da série 'Hemlock Grove', atriz reclama da falta de mulheres por trás das câmeras no mercado dos EUA

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2014 | 02h07

Famke Janssen já foi mutante, vilã de conto infantil adaptado para história de ação e, atualmente, encarna uma upir, mistura de ser humano com bruxo e demônio, na série do Netflix Hemlock Grove, cuja segunda temporada está disponível desde o mês passado. "Mas nunca gostei (desse tipo de histórias). De jeito nenhum", confessou a atriz ao Estado, durante passagem por São Paulo, onde veio divulgar a produção, em que interpreta a manipuladora Olivia.

A trama de Hemlock Grove, que tem ainda pitadas de ficção científica, reúne diferentes tipos de criaturas medonhas. "As pessoas parecem sempre ter gostado dessa mitologia de vampiros e de sugar sangue. É interessante como essas coisas vão e vêm em ciclos. Não sei por que", analisa a holandesa, que já deu expediente no cinema como a Jean Grey nos longas dos heróis X-Men.

Na nova leva de episódios, Olivia está mais limitada depois de ser ferida por outro upir na temporada anterior. Desta vez, a então vilã fica mais doce e até começa a ter sentimentos humanos. "Ela perdeu a casa, o dinheiro e o controle da White Tower (instituto que faz testes científicos com humanos) e da língua (que foi cortada) por um tempo. Começa a temporada um pouco vulnerável. Ela vai arranjar uma maneira de passar por cima disso tudo para se recuperar", conta a atriz, sem querer fazer spoiler para quem ainda não chegou ao 26º capítulo da produção.

Por enquanto, não há previsão de uma terceira temporada. "Vai depender dos fãs, se eles vão querer ou não", torce Famke. "Já tenho tudo na cabeça, uma mistura de Sessão de Terapia com De Volta para o Futuro. Ou de volta ao passado, no caso dela. Ela vai fazer sessões para descobrir o que aconteceu com ela nas últimas centenas de anos. Ela tem muita história, coitado do terapeuta. Não recebi essa informação (da nova temporada). Mas é uma boa história. Você não gostaria de vê-la?"

Em breve, Famke retomará a função de diretora. "Comecei a escrever um roteiro no ano passado, mas tive de atuar em outros filmes, o que me roubou um pouco do tempo. O próxima passo é conseguir o financiamento. Não vou falar sobre o que é a história, você vai ter de esperar", diz ela, que, em 2011, esteve à frente do longa Vivendo no Limite, estrelado pela também ex-modelo Milla Jovovich.

Famke Janssen, de 49 anos, afirma que o mercado audiovisual dos EUA - no qual começou em 1992 após largar as passarelas - tem um certo estranhamento com mulheres no comando de filme. "É interessante. Minha família mora na Holanda e uma das minhas irmãs é diretora. Lá, não mencionam se é um diretor ou uma diretora. Nos EUA, é muito raro ver uma. Talvez em filmes independentes. Na TV, ainda predominam os homens. Na segunda temporada de Hemlocke Grove, fiquei orgulhosa de termos duas", pondera. "Mal posso esperar pelo dia em que teremos mais mulheres por trás das câmeras. Jack of the Red Hearts, que acabei de rodar, foi escrito por uma mulher, dirigido por outra e também tinha uma diretora de fotografia."

Na contramão de atores como Alice Braga e Rodrigo Santoro, que costumam ganhar papéis de personagens latinos por causa de sua origem, a holandesa garante não ter sofrido por ser estrangeira. "A maioria dos europeus tem sotaque carregado. Deu muito trabalho para me livrar do meu. Mas, veja, em Hollywood, há muitos atores bem-sucedidos que vêm de todo o mundo. É um negócio difícil, há muita competição. Você nunca sabe por que chamaram você ou não. Pode ser porque sou muito alta, porque pareço um ET ou talvez porque eu não seja boa o suficiente", palpita ela, que estará em Busca Implacável 3. "Não posso falar muito. Dougray Scott, de Hemlock, será meu marido no filme. E alguém será sequestrado, eu acho."

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