NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Vila Itororó abre centro cultural temporário

Parte do projeto de reforma do local, espaço estimula diálogo com o entorno

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2015 | 18h44

Em uma das pérolas do YouTube, é possível assistir a um momento no qual Adoniran Barbosa leva Elis Regina a um passeio pelo bairro paulistano do Bexiga. No tour gravado nos anos 1970, os artistas passam pela já desgastada Vila Itororó. Ícone da região e tombado pelo Condephaat e Conpresp, o local passa por um processo de revitalização. A reforma está aberta à população por meio de um centro cultural temporário montado em um galpão anexo à Vila, e que iniciou suas atividades ontem.

“Flávio Império dizia que a Vila só faria sentido se fosse pensada como o medalhão de um colar”, diz o curador do centro cultural, o francês Benjamin Seroussi. Ele usa a fala do arquiteto e cenógrafo paulistano que vivia no local para destacar que, no caso da reforma da Vila Itororó, olhar para o entorno é essencial.

É justamente esta a ideia de se fazer um centro cultural temporário. O local é a primeira etapa da revitalização da Vila, que vai ter 11 casas reformadas para uso cultural. No centro, os moradores do Bexiga devem expressar suas demandas para ajudar a definir as funções exatas de cada espaço.

Programado para ser substituído por um corredor de entrada da Vila em 2018 – ano para o qual está prevista a conclusão das obras –, a estrutura vai abrigar atrações como uma exposição contínua de artistas-pesquisadores sobre a história do local, seminários, oficinas e ações educativas sobre patrimônio arquitetônico.

Segundo o presidente do Instituto Pedra (entidade responsável pela revitalização), Luiz Fernando Almeida, o centro cultural funciona como um canteiro aberto. “Normalmente os canteiros são fechados para a cidade e nos apropriamos da obra quando ela já está pronta”, analisa. “Aqui é o contrário: a ideia é que as pessoas possam vir, acompanhar a revitalização e ajudar a construir essa narrativa.”

O arquiteto e secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, destaca que a Vila Itororó é importante para São Paulo pela singularidade. “Representa um período em que os quarteirões eram grandes e seus miolos permitiam esse tipo de vila”, diz. “É uma sorte a Vila ter permanecido de pé com tantas transformações que ocorreram na cidade.”

O centro cultural começou a funcionar ontem e segue com programação de abertura hoje e amanhã, com visitações à Vila, oficinas e roda de samba. A partir da próxima semana, o público pode frequentar o local de segunda a sexta, entre 11h e 17h. 

Tudo o que sabemos sobre:
PatrimônioVila Itororó

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.