Keiny Andrade/AE
Keiny Andrade/AE

Vik Muniz monta mosaicos de beijos com 1,2 mil pessoas

Performance fotografada pelo artista fará parte da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids

Pedro Venceslau de O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2009 | 19h04

O artista plástico Vik Muniz montou neste domingo, 20, mosaicos de beijos com ajuda de 1,2 mil pessoas, no Ginásio Pascoal Thomeu, em Guarulhos.

 

O artista brasileiro que vive em Nova York, conhecido pelas réplicas que fez de Mona Lisa com geleia, e de Leonardo Da Vinci com manteiga de amendoim, veio ao país especialmente para fazer esse trabalho, a convite do Ministério da Saúde. A foto fará parte da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids, que acontece no dia 1º de Dezembro.

 

Voluntários

 

Quando a professora Aparecida Lemos ficou cega em decorrência do vírus da aids, no ano passado, muitos amigos lhe aconselharam a mentir. Como não apresenta nenhum outro sinal da doença, afirmaram que deveria dizer que perdera a visão por causa de um glaucoma.

 

Soropositiva desde 2000, ela ignorou as "sugestões" e passou a usar o caso como exemplo do preconceito contra pessoas que vivem com o HIV. "Muita gente diz: ‘Nossa, você está tão bem, nem parece ter aids.’ E às vezes me perguntam: ‘Se você está bem, por que contar?’"

 

Aparecida estava neste domingo, 20, em um ginásio de Guarulhos, Grande São Paulo, onde 1.200 voluntários, boa parte deles com o HIV, serviram como "matéria-prima" para a mais ousada ação do Ministério da Saúde voltada para o 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, e antecipada pela coluna Direto da Fonte.

 

Do alto de uma grua de 16 metros, o artista plástico Vik Muniz comandou a multidão na arquibancada, que formou mosaicos gigantes: a imagem de beijos de dois casais homossexuais e um casal hetero, uma mãe soropositiva sendo beijada pelo filho sem o vírus, autorretratos do autor, entre outros.

Segundo o último boletim epidemiológico do ministério, foram registrados no Brasil - entre junho de 1980 e junho de 2008 - 506.499 casos de aids no Brasil. Destes, 66% são homens e 34% mulheres. Mas estima-se que existam aproximadamente 630 mil pessoas vivendo com o vírus. O Brasil registra, em média, 11 mil óbitos por ano em decorrência da doença.

 

O artista

 

Ao receber o convite do Ministério da Saúde para criar uma obra-símbolo contra o preconceito, Vik Muniz imediatamente pensou em um beijo. Trata-se, segundo o artista, de uma imagem forte, algo ambígua e com um componente físico que remete à intimidade e ao amor. Mas o beijo também traz uma lembrança triste ao consagrado artista plástico, que ficou mundialmente famoso transformando objetos como lixo e sucata em arte. Quando chegou a Nova York para tentar a vida, em 1983, os EUA estavam no auge da paranoia com o HIV. Como as informações sobre as formas de contágio eram poucas, prevalecia o medo de qualquer contato com os portadores da doença. Foi nesse contexto que Vik foi visitar no hospital um de seus melhores amigos, que estava em fase terminal. "Pela minha ignorância, tive medo de beijá-lo. Sofro com isso até hoje."  

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