Vik Muniz ganha maratona de eventos em SP

As imagens da exposição Clayton Days, que inaugura amanhã à noite um novo espaço cultural e dá início a uma maratona de eventos de Vik Muniz em São Paulo, parecem tiradas de algum antigo álbum de fotografias. No entanto, foram feitas em 2000, a pedido do Frick Art & Historical Center, de Pittsburg. Impressionado com o cenário do fim do século 19 reconstituído a partir de fotos de época nessa que foi a primeira residência da família Frick - que viria a se tornar proprietária de uma das mais soberbas coleções de arte dos EUA - e com as constantes referências ao universo infantil, Vik resolveu voltar no tempo e criar uma espécie de narrativa, de visão pessoal sobre o que teria acontecido no período áureo daquela casa.Para isso usou recursos técnicos do período (máquina, filmes e lentes) e registrou as cenas como se fossem vistas por uma criança. Vik chegou a defini-la como uma menina de pouco mais de 4 anos. É pelos seus olhos que vemos cenas como um passeio de automóvel, uma mãe penteando a filha ou pequenos detalhes como um dente-de-leão, cadernos abertos sobre a mesa ou um jogo de cartas por terminar.Essas imagens, que dialogam com toda uma tradição da arte fotográfica - parecendo muitas vezes citações explícitas dos grandes mestres - são profundamente enigmáticas e transmitem um clima de mistério e tensão. Como se retratassem uma paz prestes a ser rompida, que nada tem de harmoniosa, como uma espécie de Jardim dos Finzi-Contini americano.A série destoa dos trabalhos mais conhecidos de seu autor, que costuma recriar imagens com os materiais mais estranhos, como açúcar, linha ou lixo, e que o público poderá conhecer (ou rever) na retrospectiva que será aberta quinta-feira próxima no Museu de Arte Moderna (MAM). A galeria que o representa também estará exibindo a partir de quarta-feira as duas séries que o artista mostra atualmente na Bienal de Veneza.Mas, aos poucos, o espectador vai percebendo que neste trabalho Vik continua fazendo as mesmas travessuras, lançando mão dos mesmos procedimentos ilusionistas com intenção de discutir todo o poder simbólico da imagem e o tênue limite entre ficção e realidade. Tanto que, em meio aos seus trabalhos, ele mesclou algumas verdadeiras fotos da família na época. Caberá ao público descobrir quais são elas. Ou concluir, como parece desejar o artista, que isso é algo desnecessário.Vik Muniz. - De terça a sexta, das 12 às 19 horas; sábado, das 11 às 17 horas. Na Internet: www.cine.com.br - Instituto Cine Cultural. Avenida Rebouças, 3.507, tel. 3819-1666. Até 21/8. Abertura amanhã, às 19 horas, para convidados

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