Vik Muniz expõe "O Objeto Invisível"

O ano 2001 será seguramente o de Vik Muniz. Pelo menos no Brasil. O artista paulistano, radicado há 16 anos em Nova York, é figura incontornável nos grandes eventos nacionais, como a Bienal de São Paulo. Também vem conquistando importantes espaços no circuito internacional, tornando-se, por exemplo, o primeiro artista brasileiro a participar da célebre Bienal do Whitney Museum (museu no qual fará uma mostra individual, em fevereiro, apresentando uma nova série sobre os minimalistas americanos).Mas ano que vem, será a primeira vez que o público brasileiro poderá ver o conjunto de sua obra reunido, graças a uma retrospectiva, que poderá ser vista nos Museus de Arte Moderna do Rio e de São Paulo. Trata-se de uma grande exposição na qual estarão representadas as grandes séries criadas por Muniz utilizando elementos tão diversos quanto chocolate, açúcar lixo ou algodão. A editora Cosac & Naify também está preparando o lançamento de uma ampla monografia sobre seu trabalho.Enquanto isso, o público terá de se contentar em ver o belo trabalho O Objeto Invisível realizado pelo fotógrafo para o projeto A Quietude da Terra - Arte Contemporânea, Vida Cotidiana e Projeto Axé, em cartaz a partir de amanhã na Galeria Camargo Vilaça. A obra, realizada em parceria com 24 crianças e adolescentes de rua, lida com questões delicadas como desejo, sonho e sublimação. Outros artistas de renome nacional e internacional também participaram do projeto, idealizado pela curadora canadense France Morin.Relembrando sua infância, quando desenhava objetos que desejava e não podia possuir, ele pediu que as crianças fizessem o mesmo. Em seguida, esses desenhos foram guardados em sacos de veludo preto, numa espécie de "cerimônia" por meio da qual elas estariam "criando e controlando seus desejos". Com este trabalho, Muniz amplia um pouco sua área de atuação, agregando outros suportes além da fotografia, mas continua lidando com questões como a memória e o uso do potencial afetivo da imagem.A obra, que até o momento só havia sido exposta em Salvador, é composta pelas imagens do dorso desses meninos e meninas de rua, do objeto de desejo desenhado por eles (que pode variar de coisas bastante concretas como um maço de notas até elementos extremamente poéticos como um tapete voador); dos sacos pretos contendo esses desenhos e de um vídeo. A verba arrecadada com a venda dos trabalhos será revertida ao Projeto Axé.Sedução - Acompanhando a mostra de Vik Muniz, instalada no mezanino, a Galeria Camargo Vilaça apresenta ao público paulistano o trabalho da artista espanhola Ana Laura Alaez. Brincando com vários suportes, como a fotografia, o vídeo e a instalação, a jovem artista busca provocar o espectador de diferentes maneiras. "Não tenho por que seguir uma assinatura ou uma marca, porque minha marca é fazer tudo o que quero", explica ela.Entre os trabalhos trazidos para a sua primeira individual no Brasil há desde peças bastante singelas, como morangos mordidos delicadamente bordados, até obras impactantes, como o vídeo em que se vêem duas jovens nuas dançando de forma provocante. Talvez a peça mais interessante seja, no entanto, a reconstrução in loco da instalação de formas geométricas e coloridas que utiliza como cenário para suas fotos.Utilizando uma série de elementos da linguagem publicitária, o trabalho de Ana Laura não tem nenhuma pretensão simbólica ou conceitual, preferindo seduzir o público a fazê-lo refletir sobre o mundo em que vive. Vik Muniz e Ana Laura Alaez - De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, até 14 horas. Galeria Camargo Vilaça. Rua Fradique Coutinho, 1.500, tel. 210-7066). Até 29/9. Abertura, amanhã, às 20 horas.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2000 | 17h05

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