Vik e o mundo da arte

Artista troca de galeria em busca de espaço que abrace sua polivalência

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h11

Artistas não comerciais o são por opção ou incompetência, como diz o fotógrafo e desenhista Vik Muniz. "Dos artistas comerciais, como eu, existem dois tipos: aqueles que fazem um grande número de obras e vendem por um preço mais baixo e para muita gente; e aqueles que fazem um número pequeno de obras e vendem muito caro para pouca gente. Sou do primeiro time", ele completa, sentado no escritório de sua nova galeria, a Nara Roesler, em São Paulo.

O preço de uma das fotografias de Vik Muniz já alcançou, em leilão, US$ 300 mil, mas a média do valor de suas obras no mercado primário varia de US$ 29 mil a US$ 45 mil, "sem moldura", como explica Nara Roesler. Em março, Vik resolveu não fazer mais parte do time da Galeria Fortes Vilaça porque necessitava de uma nova relação com o mercado de arte - precisava de alguém que "o amasse como ele é", brinca. "Assumimos o lado polivalente do Vik", diz Daniel Roesler, diretor da galeria criada por sua mãe.

Criativo, versátil, sem parada, Vik é um artista consagrado - internacionalmente - desde os anos 1990. Na década anterior, o paulistano, nascido em 1961, era o moço pobre que se mudou para Nova York. Nos EUA, começou sua carreira artística e entre 1994 e 1995, quando o marchand Marcantonio Vilaça (1962-2000) o convidou para integrar o time de sua então Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, Vik se sentia "um estrangeiro" em seu país. "Brasil? Parecia que o mercado aqui tinha um modelo cristalizado", conta o artista, que hoje se divide entre o Rio e Nova York.

"Acho que arte contemporânea é vista em galeria. Quando ela chega ao museu, já está domesticada", defende Vik Muniz. Sua estreia na Galeria Nara Roesler será como curador de uma mostra com obras de outros criadores. "Tive duas ideias, mas uma, porque tenho um fascínio muito grande, está relacionada com a coisa perceptual da arte. Sempre gostei muito de op art, algo que sempre quis fazer", conta o fotógrafo.

"Estou também pensando em realizar uma ligação da op art com a contemporaneidade", continua o artista, que já fez curadorias de exposições para o Museum of Modern Art (MoMA) e Metropolitan, ambos em Nova York, e para o Museé d'Orsay de Paris. Sua curadoria para a galeria paulistana está prevista para ser apresentada depois de setembro. Será abrigada no novo espaço da Nara Roesler, a casa ao lado da galeria, na Avenida Europa, 641 (que pertencia ao marchand Thomas Cohn).

Depois, no próximo ano, Vik Muniz apresentará uma mostra individual de obras inéditas na Galeria Nara Roesler para marcar seu novo espaço comercial no Brasil. "Demoro um ano e meio para produzir uma exposição", afirma o artista, que, em outubro, vai fazer residência de pesquisa no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O lema de Vik Muniz é "desmistificar a ideia de que arte, para ser acessível, tem de ser fácil". "Pode ser bonito e inteligente, pode ser para todo mundo", completa. Há seis anos, ele também vem criando projetos artístico-sociais como o que foi apresentado no documentário Lixo Extraordinário. O filme, que concorreu ao Oscar, acompanhou seu trabalho com os catadores do aterro Jardim Gramacho. Vik ainda acabou de fazer algo parecido no Rio +20. A convite do Ministério do Meio Ambiente, criou uma monumental paisagem da Baía de Guanabara com garrafas e produtos recicláveis (em parceria com milhares de participantes), depois fotografada.

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