Videoarte de Walter Silveira ganha mostra no MIS

Walter Silveira acompanhou as décadas mais importantes da formação da videoarte no Brasil. Atualmente, o diretor de programação da TV Cultura é lembrado como artista multimídia e multimeios, mas seu repertório vem de um tempo em que a experimentação com vídeo e TV era vista com desconfiança por artistas plásticos e com descrédito por produtores de TV.O trabalho experimental dos anos 70, hoje bastante celebrado, foi incorporado e digerido pelas instituições culturais na década seguinte, quando a profissão de videomaker era praticamente um modismo e gente como Tadeu Jungle e Silveira ampliavam suas pesquisas iniciadas em um laboratório de comunicação da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Trabalhos que representam alguns desses períodos da trajetória de Silveira serão exibidos a partir de quarta-feira no Museu da Imagem e do Som (MIS).Como parte da quarta edição do programa Referências Videográficas, o museu mostra até domingo um recorte parcial da criação de Walter Silveira. O programa de abertura, nesta terça, a partir das 18 horas, mostrará quatro obras do fim da década de 70. Com reapresentação às 20 horas, o museu exibe na sala Multimídia Sony Memory How do You do N.Y., Uma Visita à Multimedia, BlacKand White Malevitch, os três últimos criados e produzidos em parceria com Tadeu Jungle.Todos os trabalhos desse tempo, curtas de 30 segundos a 4 minutos e em preto-e-branco, trazem alguns dos elementos do início da criação de Silveira. "Eu e o Tadeu somos dessa segunda geração de criação em vídeo no País", observa o videoartista. "Começamos a trabalhar em um tempo em que o trabalho com vídeo deixava o campo das artes plásticas para preocupar-se com as questões da comunicação", continua ele, que hoje trabalha com diferentes veículos da imagem, principalmente a fotografia.Bienal de Veneza - Das obras sobre artistas plásticos, que talvez sejam os mais conhecidos de Silveira, o MIS exibe, por exemplo, Minha Viagem em Wesley Duke Lee d´o Helicóptero a Fortaleza de Arkadin, de 1992. O vídeo apresenta o percurso do projeto de Duke Lee na criação de sua obra para a Bienal de Veneza de 1990.A partir da investigação do artista plástico homenageado Silveira criou uma colagem de imagens que mostram lugares da pictórica fortaleza do título. As cenas aéreas retratam paisagens escocesas, uma das origens da família Duke Lee, e um dos fundamentos do trabalho exibido em Veneza. As tomadas alternam-se com imagens de Wesley montando sua obra para a Bienal, com narração em off do próprio artista."Meus trabalhos sobre artistas plásticos sempre tiveram foco no espírito de sua atuação, não em questões biográficas ou documentais", comenta o co-autor (ao lado de Arnaldo Antunes e Lenora de Barros) da videoinstalação A Contribuição Multimilionária de Todos os Erros.Amanhã serão mostrados Ivald Granato in Performance, outra produção em parceria com Tadeu Jungle, que se apropria da linguagem dos programas de televisão, e VT Preparando AC/JC, ensaio sobre Augusto de Campos e John Cage (as siglas do título). O vídeo, feito durante a última visita do maestro ao País, tem como foco principal o espetáculo Cage/Campos, apresentado na Bienal de São Paulo em 1985, mas também traz depoimentos de Arrigo Barnabé, Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Wally Salomão. Homenagem a Jorge Segal e Caipira-In são outros trabalhos que participam do programa da semana, que exibe ainda duas gravações de debates, como a mesa-redonda do Videobrasil de 1992.Walter Silveira - De terça a domingo, das 14 às 22 horas. MIS - Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa, 158, tel. 852-9197. Até 23/7. Abertura nesta terça-feira, às 20 horas.

Agencia Estado,

17 de julho de 2000 | 17h49

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