Vídeo traz arte de Vik Muniz

O Instituto Tomie Ohtake lança nesta terça-feira o vídeo A Pior Ilusão Possível: O Gabinete de Curiosidade de Vik Muniz (Worst Possible Illusion: The Curiosity Cabinet of Vik Muniz), um documentário feito no ano passado pela norte-americana Anne-Marie Russel sobre o processo de criação do artista brasileiro, reconhecido internacionalmente por seus trabalhos fotográficos.Esse documentário, que será visto pela primeira vez no País, faz parte da programação de vídeos sobre arte e tecnologia coordenado pelo videomaker Marcello Dantas. "Fizemos uma lista com artistas que interessavam ao Instituto e fomos atrás de documentários e obras feitos por eles para serem exibidos. A série é uma maneira de aproximar artistas plásticos do público, por isso tivemos o cuidado de sempre trazê-los legendados. Os documentários sobre arte geram referência, porque são diferentes dos catálogos ou das visitas monitoradas aos museus. Funcionam como suporte educativo e também são atrativos, porque tratam do universo dos artistas e, ao mesmo tempo, mostram suas personalidades", diz Dantas.E é isso que se pode ver no vídeo sobre Vik Muniz. A diretora Anne-Marie Russel acompanhou o fotógrafo durante dois anos e o documentário revela as viagens do artista no Brasil, Polinésia, Chicago, Arizona, entre outros lugares, e ainda traz imagens dele em seu estúdio no Brooklyn, em Nova York, cidade onde Muniz conquistou seu reconhecimento. Sempre de maneira bem-humorada, o próprio artista declara suas idéias, seu modo de criar e apresenta tanto sua obra quanto sua trajetória.Trabalhos - O interessante é como Vik Muniz explica com simplicidade a maneira como constrói seus trabalhos fotográficos. Mostra como faz objetos com arame e depois os fotografa, dando a impressão de que são desenhos, objetos construídos por traços a lápis. Ou objetos feitos com algodão. Ou a maneira como coloca açúcar sobre o retrato de crianças da América Central dando um aspecto de pintura, como se a obra final fosse um quadro pintado. Entre tantos outros processos exibidos, a conclusão é de que os trabalhos são sempre fotográficos, mas não são apenas fotografias, retratos. Vik Muniz, sempre em tom de brincadeira e com simplicidade, reforça que o artista é um mágico. "Ele enxerga a arte como uma ilusão. Como se o artista estivesse para confundir", analisa Dantas.Outro aspecto que Marcello Dantas ressalta é o lado do land-art de Muniz, um processo que poucos conhecem. Um exemplo é quando o documentário mostra um dos projetos do artista de fazer uma fotografia de um "osso gigante" no deserto. Com tratores, é cavado um osso gigante no chão que depois será fotografado. "Esse é um tipo de arte que só faz sentido se for vista por meio de um documentário", explica o videomaker.Marcello Dantas, que é amigo pessoal de Vik Muniz, teve contato com o documentário pelas próprias mãos do artista documentado. "Esse é um vídeo divertido que foi bem no espírito lúdico do Vik. É um documentário que possibilita ver o artista por um outro recorte, é um mergulho numa faceta de seu universo que não está no museu", conta. "Vik é um dos artistas mais criativos e bem-humorados do Brasil que construiu sua carreira lá fora."Cada vídeo é exibido durante uma semana no Instituto Tomie Ohtake, mas sempre ficará à disposição do público. A entrada é franca.Serviço - A Pior Ilusão Impossível: O Gabinete de Curiosidade de Vik Muniz. Direção Anne-Marie Russel. EUA/2001. Duração 54 minutos. De 22 a 27/1, exibições de hora em hora a partir das 11 horas. De 29/1 a 3/2, às 11, 13h, 15, 17 e 19 horas. Grátis. De terça a domingo, das 11 às 20 horas. Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201, tel. 6844-1900. Até 3/2

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.