Vídeo raro de Lennon vira objeto de disputa judicial

Em vídeo o cantor aparece fumando maconha e cogitando jogar LSD no chá de Richard Nixon

JASON SZE, REUTERS

22 de abril de 2008 | 20h04

Imagens em que John Lennon aparece fumando maconha, escrevendo músicas e cogitando jogar LSD no chá de Richard Nixon são a peça central de um processo judicial que começa a ser julgado na semana que vem em Boston. O caso opõe a viúva de Lennon, Yoko Ono, à empresa World Wide Vídeo, com sede em Lawrence (Massachusetts), que alega ser a dona das nove horas de material bruto sobre Lennon e Yoko, filmado semanas antes do fim dos Beatles, em 1970. A World Wide, formada por colecionadores de coisas dos Beatles da Nova Inglaterra, pretende lançar as imagens em preto e branco na forma de um filme de duas horas, chamado "Três Dias na Vida", mostrando uma fase importante e turbulenta de uma das bandas mais importantes da década de 1960. A revista Rolling Stone qualifica o material como "incríveis imagens de John Lennon que você pode nunca ver." A empresa, que pagou mais de 1 milhão de dólares pelo material (incluindo custos legais e outros gastos) quase o estreou em 2007 na Academia Berwick, no Maine, mas desistiu na última hora porque advogados de Yoko apareceram na escola dizendo deter os direitos sobre o filme. A World Wide então abriu processo contra Yoko no Tribunal Distrital de Boston por violação de copyright. A audiência preliminar está marcada para 30 de abril. Segundo os documentos judiciais, a World Wide disse ter comprado, em 2000, 24 fitas e seus respectivos direitos de Anthony Cox, que foi marido de Yoko antes de ela se casar com Lennon, em 1969. Cox filmou as imagens entre 8 e 11 de fevereiro de 1970 no sítio de Lennon na Inglaterra, para um documentário que pretendia realizar. Nessas imagens, Lennon aparece compondo duas canções de sucesso, "Remember" e "Mind Games", e fala abertamente do uso de drogas, em cenas que a World Wide qualifica como "íntimas e sem barreiras". A World Wide diz que o material foi roubado pouco após a aquisição das fitas, junto com dez cópias. Em 2001, a empresa abriu um processo civil contra um homem de New Hampshire que aceitara devolver as cópias e localizar os originais, segundo documentos judiciais. As fitas originais atualmente estão sob a posse de Yoko. Numa contra-ação, advogados alegam que Yoko comprou o material legalmente da World Wide por intermédio de um homem da Flórida, apontado como réu no processo aberto pela empresa.

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