"Vidas Cruzadas" traz Aids para o horário nobre

Nos próximos capítulos, a novela Vidas Cruzadas, da Record, deverá abordar situações polêmicas vividas pela personagem Leonor (Martha Mellinger), casada com o inescrupuloso advogado Amaro (Jayme Periard). Infiel e promíscuo, a irresponsabilidade de Amaro contaminará sua esposa com o vírus da Aids. A revelação deverá ocorrer nos próximos capítulos, quando Leonor faz um exame de rotina e seu médico pede que ela refaça o teste. Acompanhada da amiga Beatriz (Ângela Leal), ela volta à clínica e repete os exames. Mas antes que a notícia seja confirmada, Leonor ainda faz uma tentativa para reatar o casamento de 25 anos com o advogado e prepara um jantar para ele e o filho Douglas (Felipe Folgosi). Assim que o casal se retira para o quarto, Amaro tenta convencer Leonor a transar, mas como ela o rejeita, ele a estupra. Amaro até que tenta virar a situação a seu favor, contando ao filho Douglas que nada de errado aconteceu. Isso porque ele percebe que Leonor não perdoará este novo erro, denunciando-o na Delegacia de Defesa da Mulher. As cenas em questão foram gravadas na 53ª Delegacia de Perdizes, em São Paulo.Quando Leonor pensa que conseguiu dar seu "grito de liberdade", o pior acontece: o resultado do exame aponta que a dona-de-casa é soropositiva, ilustrando uma situação que infelizmente tem se repetido constantemente na vida real em muitos lares brasileiros. Tentando trazer a discussão para o horário nobre, o autor Marcos Lazarini escreveu algumas cenas onde um infectologista falará sobre a doença.Esta é a segunda vez que Jayme Periard interpreta o drama de um homem que se vê às voltas com o vírus da Aids. Em 1991, ele protagonizou o especial O Portador, exibido pela Globo. Apesar de gostar do personagem, Periard é o primeiro a repreender suas atitudes levianas. "Ele é um mulherengo sem escrúpulos e deve ser punido por isso", autoriza. Em O Portador, seu personagem era infectado por uma transfusão de sangue. "Também acho muito importante falar sobre as mulheres casadas que são contaminadas. Esse índice está crescendo cada vez mais", aponta. "Não vejo uma discussão séria sobre o assunto. Parece que a doença não existe, que as pessoas não convivem com ela." O ator lamenta que o tema seja pouco abordado na tevê brasileira. "Na época, a Globo produziu O Portador a contragosto. Era para ter 24 capítulos; eles queriam quatro e acabamos negociando 12. Mesmo assim ficou quase um ano na gaveta." Segundo ele, muitos atores recusaram o papel por medo de ficarem estigmatizados.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2001 | 12h46

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