Vida doce

Na pele de Dona Redonda no remake de Saramandaia, Vera Holtz come à vontade em cena e sonha com quitutes

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h20

Enquanto as colegas de trabalho do Projac levam marmita com salada para controlar a alimentação, Vera Holtz passa as horas de trabalho degustando iguarias. "Numa cena, eu estava comendo um doce de mocotó; quando enjoei, passei para o escondidinho. Depois, tinha jujuba e cupcake", conta a atriz, que vai colocar goela abaixo uma incontável quantidade de doces na pele de Dona Redonda, personagem que promete roubar a cena no remake de Saramandaia, que estreia amanhã, às 20h20, na Globo.

Com mais de 250kg na ficção, Dona Redonda tem despertado sentimentos ocultos na atriz. "Na vivência com o doce, você aciona o desejo pelo açúcar. Outro dia, mordi um sonho que ainda estou sonhando com ele", confessa. Aos 60 anos, Vera garante que não anda muito preocupada com a balança e que não faz nenhuma restrição alimentar. "Quando a personagem invade, eu me permito. Percebi que estou mais voraz. E, você sabe, eu sou renascentista", brinca, numa referência a pinturas que retratam mulheres com curvas avantajadas.

Nem quando faz hora extra, a paulista de Tatuí reclama. "Vou para casa feliz da vida. Pode haver coisa melhor do que fazer um sundae gigante e comer aquilo tudo sem culpa no trabalho?", comemora. Ironicamente, a atriz, que não disse o quanto pesa, afirma ter perdido peso desde que entrou na produção. "Começo a comer menos quando gravo. E como coisas leves durante o processo", entrega ela, que leva quatro horas para preparar o visual antes de entrar no estúdio.

Para aparecer gorda no vídeo, Vera coloca próteses no rosto, braço e perna, além de vestir um moderno equipamento que impede que ela sinta calor e sue na pele de Dona Redonda. "É como um macacão que coloco. Ele tem umas mangueirinhas por onde passa água. Ele mede a temperatura e refrigera. Esse sistema eu coloco todo por baixo daquilo (roupa). É ciência pura".

Por conta das próteses, ela não vai ao Projac todos os dias. "Tem de dar o repouso da pele, confeccionar novas próteses. E a prótese dura de seis a sete horas", detalha. Sem conseguir definir como se sentiu ao se ver caracterizada, a atriz lembra que causou furor na primeira gravação. "Fiquei surpresa com a reação das pessoas. Elas davam risada. Eu me via através do olhar delas."

Ela ainda não recebeu o roteiro da esperada cena da explosão de Dona Redonda, passagem que marcou a primeira versão da novela, exibida em 1976, mas já começou a preparação. "Fomos a Los Angeles, no Institute of Creative Technologies. Lá, eles têm scanner de tosto. É como uma bola, cheia de luz, em que várias maquinas fotografaram meu rosto para que a computação gráfica faça a sequência. Depois, passei num scanner de corpo. De biquininho".

Além de comer em boa parte do tempo, Dona Redonda será atuante na política da cidade de Bole-Bole, onde o grupo conservador dos bolebolenses, ao qual ela pertence, disputa o poder com os progressistas saramandistas. "Ela é partidária, é o clube. Vai fazer um dossiê contra o Gibão (Sérgio Guizé). Ela não gosta dele, acha que é defeituoso, pois não sabe que ele tem asas."

A perua implicará com as crianças. "Ela acha que é melhor ter bicho", analisa ela, que contracenou com atores mirins em Avenida Brasil. "Lá, eu tinha 12 crianças ao meu lado", compara. Ela diz que sair do lixão da trama de João Emanuel Carneiro e virar rica no remake assinado por Ricardo Linhares não faz diferença. "A Mãe Lucinda era uma entidade, um upgrade na carreira."

Vera vê semelhanças entre as manifestações que acontecerão na novela e os protestos em todo o País. "É um período único e especial. O que explodiu foi um nível de insatisfação. A corrupção ficou generalizada, vemos declarações que dão vergonha. É hora de termos belíssimas educação, saúde e moradia", defende ela, que não conseguiu ir às ruas por estar gravando. "Tenho preocupação de melhorar o pensamento (das pessoas) para mudar o mundo".

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