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Vida do presidente quer vaga no Oscar

Brasil define Lula como concorrente à indicação de melhor filme estrangeiro

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

O prestígio e o carisma do presidente Lula foram decisivos na escolha do filme que vai representar o Brasil na próxima entrega do Oscar. Por unanimidade, os nove membros da banca formada pelo Ministério da Cultura escolheu ontem Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto, como candidato do País na disputa da estatueta de melhor longa estrangeiro. A cerimônia de entrega ocorre no dia 27 de fevereiro de 2011, em Los Angeles.

Oficialmente, a comissão garantiu que a decisão não teve influência política. "O escolhido necessitava reunir qualidades que representassem bem a cinematografia brasileira atual e que fossem competitivas em Hollywood", comentou o cineasta Roberto Farias. "E Lula é um filme bem-feito, que exalta nosso cinema e tem até chance de competir na categoria de atriz, graças ao belo trabalho de Glória Pires."

Outra cineasta do comitê, porém, Tata Amaral, foi explícita quanto ao peso da reputação de Lula na decisão. "Gostaríamos que a Academia de Hollywood se influenciasse politicamente, embora pessoalmente não acredite que isso seja tão fácil", disse ela.

Em conversas particulares, outros membros da comissão confessaram sua preferência por outros títulos, mas reconheceram a força política do filme de Fábio Barreto, que ainda se recupera de um acidente sofrido em dezembro do ano passado (leia abaixo). "Cada um tinha suas preferências pessoais, mas, no momento da votação, ficamos surpresos como a lista logo se resumiu a três títulos", contou Leon Cakoff, organizador da Mostra de São Paulo. "E, mesmo nesse trio, Lula já ganhava disparado."

O raciocínio parece correto, a julgar pelas recentes premiações estrangeiras no Oscar. Na entrega deste ano, o argentino O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, bateu o então favorito A Fita Branca, de Michael Haneke.

Isso se explica pelo fato de o Oscar ter regras distintas quando se trata de premiar filme estrangeiro. Enquanto as demais categorias são regidas pelo interesse comercial, os longas não falados em inglês são analisados basicamente por sua qualidade artística. Mais: pelo seu poder de acrescentar culturalmente aos espectadores, independentemente do país de onde vivem. Esse detalhe é importante porque praticamente exclui produções com caráter belicoso ou que apresentam violência excessiva.

"Quando se escolhe o filme para nos representar no Oscar, é claro que tem de se pensar na qualidade técnica, mas não quer dizer que se escolhe o melhor filme, e sim o mais adequado por conta da sua temática", comentou o produtor de Lula, Luiz Carlos Barreto. "Nosso filme está mais próximo da mentalidade do americano: a história do vencedor."

Trata-se da terceira indicação de sua produtora - as duas primeiras foram O Quatrilho, também de Fábio Barreto (1996), e O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto, seu irmão, em 1998. "Nas duas vezes conseguimos ficar entre os cinco finalistas; espero que agora aconteça o mesmo", disse Barretão.

Lula, o Filho do Brasil concorria com outros 22 longas, dos quais as maiores bilheterias atuais, Nosso Lar e Chico Xavier, os mais votados na enquete popular promovida pelo MinC (70% e 12%, respectivamente). Lula deve estrear em duas salas de Nova York e também no Canadá em fevereiro. / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

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