Marcos de Paula/AE
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Vida de Norma Bengell é contada em livro de memórias

'Norma - As Coisas Que Vivi' foi preparado há décadas pela atriz e deve ser lançado em novembro

Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo,

05 de setembro de 2012 | 09h26

RIO - Uma das musas do cinema nacional nas décadas de 60 e 70 (64 filmes como atriz, brasileiros e europeus); relações pessoais com presidentes da República, de Jango a Dilma; namoro com Alain Delon, considerado o homem mais bonito do século 20 - “ele era muito esquisito, o que agora a gente chama de bissexual”. Aos 77 anos, Norma Bengell definitivamente tem muito o que contar.

Norma - As Coisas Que Vivi, livro de memórias que prepara há décadas, deve ser lançado em novembro. Tudo por Amor, filme sobre sua trajetória, já tem roteiro pronto. Falta ainda dinheiro. Norma pensa em Alinne Moraes para interpretá-la. Ela também será o tema de um documentário do amigo Silvio Tendler.

Na semana passada, Tendler foi um dos entrevistadores que, por três horas, instigaram a atriz a lembrar as passagens felizes e turbulentas da carreira iniciada como vedete em 1954, e que aparentemente terminou com a participação no humorístico da Globo Toma Lá, Dá Cá, em 2009 - ela tem limitações físicas por conta de duas quedas que sofreu, que a puseram numa cadeira de rodas (teve estreitamento de quadril e foi operada).

Norma gravou seu depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som, no Rio, dando um testemunho franco sobre o que viveu. Se a memória falhava, a atriz tinha a seu lado, na mesa coordenada pela vice-presidente do MIS, Rachel Valença, amigos antigos: além de Tendler, as produtoras Rose La Creta e Christina Caneca e a atriz Anna Maria Nascimento e Silva. Christina organiza seu acervo pessoal (filmes, fotos, revistas, cartas), que está sendo doado para a Cinemateca Brasileira.

Com humor, Norma falou dos primeiros filmes (“Chamavam de chanchadas, hoje dizem que são clássicos”); do nu frontal inaugural do cinema brasileiro, em Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra, que escandalizou a sociedade conservadora (“Em Minas Gerais disseram que eu seria banida a pauladas”); dos problemas que teve com o filme O Guarani, que dirigiu em 1996 (“Eu paguei os atores muito bem. Dei R$ 15 mil para o José de Abreu e ele falou: ‘É tudo isso?’”).

“Valeu esse sacrifício de vir aqui, de cadeira de rodas. Minha vida foi muito bonita, e ainda é”, disse, ao terminar, sem disfarçar o tom melancólico e os olhos cheios d’água.

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