Vida a serviço da ficção

Foi em 1994 que Caio Fernando Abreu recebeu sua sentença de morte. Ao menos foi assim que, naquela época, o autor interpretou a notícia de que era portador do vírus HIV. Na coluna semanal que assinava no Estado, ele revelou o fato em 21 de agosto daquele ano. Na série de três artigos, intitulados Cartas para Além dos Muros, o autor repartiu, sem muito pudor, a sua agonia.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em sua obra, Caio Fernando Abreu esteve sempre devassado. Expôs os dilemas ingênuos da juventude em livros como Limite Branco, que escreveu aos 18 anos. Trouxe à tona todo o seu lado escuro e sombrio, o temor da solidão e da morte, em obras como Morangos Mofados e Os Dragões Não Conhecem o Paraíso - por muitos considerado seu melhor livro. Sempre que não pôde sobreviver apenas de sua ficção, o autor incursionou pelo jornalismo. Nascido em Santiago, Rio Grande do Sul, em 1948, mudou-se para São Paulo nos 1960. Aqui, escreveu em revistas como Veja e Manchete. Em 1973, partiu para a Europa, onde lavou pratos, trabalhou como modelo fotográfico e faxineiro. Por lá, conta que viveu seu maior dilema: "Ou parto para Índia ou me torno escritor". Por sorte, sabemos, ficou com a segunda opção.

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