Victor Hugo, versão sem canto e dança

À Procura da Felicidade

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h29

15H50 NA GLOBO

(The Pursuit of Happyness). EUA, 2006. Direção de Gabriele Muccino, com Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen.

Will Smith dá um tempo em seus heróis de ação (e comédias) para encarnar pai dedicado que vira sem-teto, mas não desiste de lutar para conseguir manter a guarda do filho. Will contracena com Jaden Smith, seu filho (na vida) que protagonizou depois o remake de Karatê Kid (com Jackie Chan). É tanto sofrimento que o espectador pode se sentir lesado com o letreiro final (e a informação que fornece). A Globo nem é louca de suprimir a cena. Reprise, colorido, 117 min.

O Dia do Chacal

22 H NA CULTURA

(The day of the Jackal). Inglaterra/ França, 1973. Direção de Fred Zinnemann, com Edward Fox, Alan Badel, Cyrill Cusack, Michel Lonsdale,

Delphiner Seyrig.

O Clube do Filme resgata o thriller que o prestigiado Zinnemann adaptou do best seller de Frederick Forsyth sobre assassino profissional, mestre do disfarce, que é contratado para matar o general De Gaulle, no quadro da reação da direita francesa às negociações para a independência da Argélia. O estilo gélido do diretor pode até servir a um relato do qual o público já conhece o desfecho. Não há muita emoção, ou não há emoção nenhuma. O remake disfarçado de Michael Caton-Jones, em 1997, com Richard Gere e Bruce Willis, é melhor, mas vá dizer isso aos críticos que idolatram Zinnemann e as razões de consciência que dilaceram seus personagens. Reprise, colorido, 141 min.

Duplo Assalto

0h30 NA REDE BRASIL

(The Hard Easy). EUA, 2006. Direção de Ari Ryan, com Henry Thomas,

David Boreanaz.

Duas quadrilhas planejam o mesmo roubo, no mesmo horário. A coincidência leva a resultados cômicos, trágicos. Parece interessante, mas as referências não animam. Henry Thomas, o garoto de E.T., de Steven Spielberg, é bom ator, mas sua carreira 'adulta' não teve nenhum grande estouro para lhe garantir visibilidade. Reprise, colorido, 105 min.

TV Paga

Os Miseráveis

12H25 NO TELECINE CULT

(Les Miserables). EUA, 1952. Direção de Lewis Milestone, com Michael

Rennie, Robert Newton, Debra Paget, Silvia Sydney, Cameron Mitchell.

O cinema contou muitas vezes a história contida no romance de Victor Hugo, publicado em 1862. Agora mesmo, está em cartaz a versão musical de Tom Hooper, que deu a Anne Hathaway o Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2012. Nas versão de Milestone, os inimigos, Jean Valjean e Javert, são interpretados por Michael Rennie e Robert Newton, e nenhum dos dois tem o carisma de Hugh Jackman ou de Russell Crowe. Valjean vai preso, recupera a liberdade e é caçado por Javert, que dificulta sua tarefa de ajudar Cosette, a filha de Fantine. Milestone foi um diretor de prestígio, graças, especialmente, a outra adaptação de um romance célebre - Sem Novidade no Front, de Erich Maria Remarque, no começo dos anos 1930. Embora Os Miseráveis não seja tão bom, é interessante comparar com a versão cantada e dançadas, para testar as dificuldades que os diretores encontram ao verter clássicos para a tela. Reprise, colorido, 123 min.

O Ouro de McKenna

16H50 NO TCM

(Mackenna's Gold). EUA, 1969. Direção de J. Lee Thompson, com Gregory Peck, Omar Sharif, Telly Savalas,

Camilla Sparv, Keenan Wynn, Julie

Newmar, Ted Cassidy, Lee J. Cobb.

O pistoleiro Omar Sharif sequestra o xerife Gregory Peck, convencido de que ele sabe onde está escondido um carregamento de ouro nas montanhas, mas seu plano sai errado e, de repente, uma brigada de cidadãos honestos, os índios e a cavalaria, todos procuram pelo ouro de McKenna (Peck). O diretor Thompson realizou bons filmes na Inglaterra e, em Hollywood, começou uma bem-sucedida parceria com o astro Peck em Os Canhões de Navarone e O Círculo do Medo, que Martin Scorsese refilmou como Cabo do Medo. O problema com Thompson é que perdeu todo prestígio ao virar homem de confiança de Charles Bronson na série Desejo de Matar (e filmes quetais). Para tornar o programa mais atraente, vale destacar que Quentin Tarantino, entrevistado pelo 'Estado' - por Django Livre -, citou O Ouro de McKenna como exemplo de western movimentado e plástico (pela beleza da paisagem). Reprise, colorido, 128 min.

O Céu de Suely

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, França, Alemanha, 2006. Direção de Karim Aïnouz, com Hermila Guedes, Maria Menezes, João Miguel, Cláudio Jaborandy, Marcélia Cartaxo.

Hermila Guedes recebeu anteontem à noite seu segundo prêmio de melhor atriz da APCA, por Verônica, de Marcelo Gomes. Antes, ela já havia recebido outro troféu da Associação Paulista justamente pelo filme de Karin Aïnouz, em que faz mulher que volta para o Nordeste com o filho bebê. Ela espera pelo pai da criança, mas ele não aparece e a heroína organiza rifa do próprio corpo em busca de dinheiro para tentar refazer a vida. Hermila é uma grande atriz de cinema. Representa para a câmera, com sensibilidade e inteligência. Ela sabe que, no cinema, menos é mais. Bastam olhares, poucos gestos e falas para expressar todo um mundo interior. Reprise, colorido, 86 min.

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