Vicente de Mello expõe "Noite Americana"

Num momento em que a fotografia é colocada no centro do circuito de arte em São Paulo (a exemplo do nascimento do clube da fotografia do MAM e do espaço dedicado à produção na Mostra do Redescobrimento), Vicente de Mello traz uma de suas séries temáticas, fragmentos de um diário pessoal, e lembra com isso que nem só as questões de linguagem interessam à categoria. O fotógrafo, que abre sua segunda individual na cidade nesta quinta-feira, na Galeria Baró Senna, traz um recorte de dez retratos em preto-e-branco da série Noite Americana. Assim como seus trabalhos recentes, o conjunto não trata do ato de fotografar nem questiona o papel da fotografia na era virtual. Mello simplesmente retrata o que gosta e faz de suas imagens citações a técnicas de reprodução de imagem. A referência, nesse caso, é o filtro usado, em cinema, para transformar o dia em noite. "Mas é também uma citação do filme de Truffaut", acrescenta o artista, que realizou toda as imagens da exposição com uma Rolei Flex.Apesar de apresentar imagens colhidas em viagens, a coleção tem o caráter autobiográfico diluído na edição. Em vez de narrativas, Mello empresta imagens conhecidas, como as do hotel do filme O Iluminado, que invoca na fachada de um hotel chileno, imagem que chamou Madrugada. Ou então na menina dos olhos da exposição, o Mondrian Negro, foto tirada em um museu holandês, que propõe a observação das cores do mestre, praticamente no escuro. "É como se fosse um Mondrian dormindo", brinca o fotógrafo, que expôs pela primeira vez em São Paulo a convite de Ivo Mesquita na exposição Outros Territórios, realizada no MIS, em 1994.Uma das imagens da série, conta o fotógrafo, foi comprada antes de sua exibição. "É uma foto que tirei da minha amiga e pintora Adriana Varejão dormindo em Portugal", descreve ele, que vendeu a imagem para Gilberto Chateaubriand. Em outra cena, esta presente na mostra, o fotógrafo apresenta sua mãe, sentada em uma poltrona, olhando para uma porta fechada na qual se lê o número 214, que dá o título à foto.A próxima série de Vicente de Mello terá cores. Vermelhos Telúricos reunirá fotos ampliadas na cor do título em mais uma citação das técnicas fotográficas. "É uma espécie de homenagem ao tecnicolor, um filme que não deu certo porque depois de um certo tempo ficava com as imagens avermelhadas", conta o fotógrafo. O artista será o quinto fotógrafo do ano a ter o trabalho vendido pelo clube da fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo. O artista será representado, no programa, por uma fotografia da série Moiré, que apresenta uma paisagem artificial feita de lâmpadas e um cortina.Vicente de Mello. De 2.ª a 6.ª, das 11 às 19 h; sáb., das 11 às 14 h. Baró Senna. Al. Gabriel M. da Silva, 296, tel. 3061-9224. Até 24/6.

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