Vice é nada

HBO traz ao Brasil as séries Girls e Veep, com a ex-Seinfeld

Cristina Padiglione , O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h11

Conte oito dias para conhecer duas séries que valem a pena ser vistas, pela HBO. A partir do dia 23, o canal lança aqui os títulos Girls, às 22h, e Veep, às 22h35, ambos já vistos e revistos nos Estados Unidos, palco de ambos os enredos - embora o conteúdo das duas, uma sobre comportamento feminino e outra sobre política, encontre identificação em qualquer parte do planeta.

Veep com Julia Louis-Dreyfus, a Elaine de Seinfeld, retrata uma vice-presidente dos Estados Unidos, e nem pense em Sarah Palin, que o sarcasmo inerente à atriz não permite tal associação. Com texto que só americanos e ingleses sabem criar para suas séries, apresenta-se ali a ex-senadora, Selina Meyer, que custa a crer na nulidade de seu papel como substituta do titular da Casa Branca.

No dia em que o presidente pensa estar enfartando, ela corre para a sala das crises da presidência dos EUA e é com satisfação indisfarçável que mal tem tempo de se anunciar no comando da nação. A ameaça de enfarto não passa de alarme falso e ela retorna, resignada, à sua insignificância. Entre trapalhadas de discurso e defesa de meio ambiente que acaba ofendendo a indústria do petróleo, vê-se aquela Elaine, da série sobre o nada, trajando figurino de presidente para o cargo sobre o nada.

Criada por Armando Iannucci, indicado ao Oscar, Veep chega com uma temporada de oito episódios de meia hora cada e também nos apresenta um personagem muito familiar a qualquer universo de poder: o clássico Bozó, que Chico Anysio interpretava como um funcionário de quinto escalão, sempre a ostentar crachá da Globo e a frase "Você sabe com quem está falando?", surge na série como Jonah (Timothy C. Simons). Quase um office boy da Casa Branca, seu esporte favorito é contar quantas vezes o presidente falou com ele no dia.

Sex and the City. Girls, a série que abre a noite de novidades do dia 23 na HBO, preza pelo comportamento feminino. Sim, o roteiro traz quatro improváveis amigas em Nova York, e elas mesmas farão referências abertas às figuras com quem mais se identificam em Sex and The City. A diferença é que ali estão meninas de 20 e poucos anos, uma virgem, outra prestes a fazer o primeiro aborto e outras duas pisando em ovos para curtir sexo.

Tampouco o contexto remete à independência financeira de Carry Bradshaw, longe disso. Lá está a primeira geração que se vê adulta após a crise econômica. Lena Dunham, que dá vida à ansiosa e desarrumada Hannah, assina a criação da série. São 10 episódios para começar.

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