Viagens boas e más de Zé Ramalho

ZÉ RAMALHO

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

A CAIXA DE PANDORA

Sony Music

Preço: R$ 87,20 (4 CDs e 1 DVD) (Livraria Cultura)

REGULAR

Seis gravações inéditas de Zé Ramalho para êxitos de Raul Seixas e Paulo Coelho são o principal atrativo de A Caixa de Pandora, que reúne quatro CDs e um DVD. Os registros de Gîtâ, As Profecias, Água Viva, Cachorro Urubu, A Hora do Tem Passar e Loteria da Babilônia ficaram fora do mediano álbum Zé Ramalho Canta Raul Seixas, de 2001. Da dupla, além dessas a caixa ainda inclui O Trem das 7 (do mesmo projeto) e duas de outros discos. Apesar de certa afinidade de Zé com Raul, as regravações não acrescentam nada às originais e nem de longe têm o mesmo impacto.

Forçadas também são as versões em português para The Fool on the Hill (de Lennon & McCartney, em duo com Erasmo Carlos), Knockin" on Heaven"s Door (Bob Dylan) e Nobody But You (Lou Reed/John Davies), este também um fonograma inédito.

Tocando seu característico violão folk, com aquela voz da seca de "messias do sertão" (apelido que ele rejeitava), o "Dylan brasileiro" (desse ele gosta) brilha mesmo é nas composições próprias, reunidas no primeiro e melhor CD da caixa. São faixas extraídas de seus álbuns mais significativos - Zé Ramalho (1978), A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu (1979), A Terceira Lâmina (1981) e Força Verde (1982).

Apesar da ausência de Bicho de 7 Cabeças e Beira-Mar, há clássicos como Avôhai, Frevo Mulher, Admirável Gado Novo e aquelas belas melodias com letras mais nonsense, criadas sob efeitos de alucinógenos, como Chão de Giz, Vila do Sossego e A Dança das Borboletas, em que ele está mais viajandão do que nunca. Até Orquídea Negra (1983) ainda havia gás e boas composições como Táxi Lunar (parceria com Alceu Valença e Geraldo Azevedo). A este se sucedeu uma série de discos fracos, a partir da segunda metade dos famigerados anos 1980. O fraco CD 2 da caixa reflete esse período.

O terceiro reúne versões um tanto estranhas de Zé para sucessos de Raul Seixas, Sá & Guarabyra, Tom Jobim, Tim Maia, Lulu Santos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Frejat e Cazuza, Paulinho da Viola, Jorge Ben, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Renato Teixeira - a maioria não tem nada a ver com ele. Entre uma arrastada versão de Bete Balanço e uma insanidade em ritmo de frevo cometida com Águas de Março, há uma curiosidade inédita: o dueto com Fagner em Amigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), em ritmo de choro dolente. Viajou legal.

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