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Viagem no tempo com o Capitão Nascimento

Wagner Moura é O Homem do Futuro, de Cláudio Torres

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Filho de dois ícones da arte da representação no País - Fernanda Montenegro e Fernando Torres -, irmão de Fernanda Torres, Cláudio Torres seguiu a tradição familiar no show biz, mas preferiu instalar-se por trás das câmera, como diretor. Depois de Redentor, que o levou ao Festival de Berlim, e de A Mulher Invisível, seu maior sucesso de público - "o único", ele corrige -, Cláudio tenta agora emplacar outra comédia no gosto popular.

Estreia hoje O Homem do Futuro, com Wagner Moura como cientista maluco - "um Professor Pardal brasileiro", segundo o ator - que viaja no tempo para tentar resolver um erro que cometeu 20 anos antes. Não exatamente na contramão de Cilada.com, de José Alvarenga Jr., o fenômeno brasileiro de bilheteria do ano, O Homem do Futuro é mais uma comédia a disputar o público com os blockbusters estrangeiros.

Brasileiro ama comédia - desde os bons velhos tempos da Atlântida. Não se pode falar num retorno do gênero - em alta? -, porque os grandes dramas que marcaram a chamada "Retomada" são pontuais. O público prefere rir, e não é de agora. O Homem do Futuro segue a vertente romântica, mais do que safada, de A Mulher Invisível. O diretor conta que seu novo filme nasceu de uma cena do anterior, em que o Selton Mello fala com ele mesmo. Torres escreveu e dirigiu a cena, mas foi somente depois, na tela, que teve o estalo. "Me veio a pergunta - o que eu diria para mim mesmo, 20 anos atrás?"

Já havia elementos fantásticos em Redentor e A Mulher Invisível. A novidade de O Homem do Futuro, em termos de cinema brasileiro, nem é tanto a ficção científica - lembrem-se do velho O Homem do Sputnik, de Carlos Manga, com Oscarito -, mas o paradoxo do tempo. Com a desculpa de que tem de levar as crianças, Cláudio Torres não perde os blockbusters da sessão pipoca. Esteve na primeira leva que assistiu a Capitão América. Como diz - Os filmes de paradoxo no tempo se constituem num gênero à parte do cinema. Os filmes são o único lugar em que a gente pode voltar no tempo, e esse é um desejo universal."

Wagner Moura aposenta o Capitão Nascimento - ele está filmando em Hollywood com Neil Blomkamp, diretor de Distrito 9 - e faz cientista atrapalhado que ganhou o apelido de "Zero" por um incidente ocorrido 20 anos atrás. Apaixonado por Alinne Moraes, o herói foi publicamente humilhado por ela e pelo namorado Gabriel Braga Nunes, que vem de outro vilão, na novela Insensato Coração. Zero, ou Wagner, tem agora a chance de viajar no tempo, voltar àquele fatídico dia e mudar tudo. Quando muda, e desenha para si um outro futuro, ele descobre que não era isso, exatamente, o que queria. E viaja de novo, para tentar passar um recado ao jovem apaixonado que foi. Numa cena, Cláudio Torres tem não um nem dois, mas três Wagner Moura na tela.

Haja Wagner. O ator é o prodígio de sempre, com sua capacidade de encarnar um garoto deslumbrado (pelo amor) e um adulto amargurado. A questão é - que solução Wagner, ou Zero, dará à sua vida? Mudar o tempo envolve sempre um alto risco. Como não mudar e, assim mesmo, alterar a ordem das coisas? Um filme como O Homem do Futuro encerrava, desde o começo, o desafio de ter de encarar os efeitos especiais. Já havia efeitos em Redentor, há sete anos - o filme é de 2004. "O Redentor foi anacrônico, uma loucura", ele lembra. "As máquinas estão melhores, mais rápidas, nós também temos profissionais mais apurados com esse tipo de produção. Ficou tudo mais fácil, quer dizer, mais fácil em termos, porque é sempre difícil."

Wagner é um ator que se dedica aos papéis. Ele pediu a Cláudio Torres para ensaiar. O diretor topou. "É sempre constrangedor procurar a cena num set, perante todos aqueles técnicos que esperam." Crítico do próprio trabalho, ele espera que ninguém o considere presunçoso, mas confessa. "Gostei do filme que fiz. E, como espectador, iria vê-lo."

O HOMEM DO FUTURO

Direção: Cláudio Torres. Gênero: Comédia (Brasil/ 2011, 106 minutos). Censura: 10 anos.

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