Viagem ao tempo do Império

De olho no espectador infantojuvenil, Família Imperial, nova série do Futura, retrata a História do Brasil

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h12

Iara tem 14 anos e é uma típica adolescente às voltas com os dilemas da idade. Não é a garota mais popular da escola, vive sofrendo bullying das colegas e é sempre chamada de Menina Naftalina. Isso porque ela não se encaixa no presente, adora o passado, não gosta de tecnologia, tem um celular antigo, usa roupas de brechó. Aliás, vive em um brechó, ou melhor, o antiquário herdado pelo pai no centro do Rio, para onde se mudou há pouco.

Já Lucrécia, também de 14 anos, apesar de achar que vive em uma sociedade com costumes muito rígidos, é até bem situada para sua idade. Segue os costumes, estuda a Bíblia, ajoelha no milho sem problemas até que um pequeno detalhe tira sua vida do normal. Para escapar, ela tem a brilhante ideia de trocar de lugar com Iara. O portal secreto é o espelho de uma penteadeira. Após a troca, uma viveria o papel da outra. E os problemas se acabariam. Ou quase.

O único porém é que 200 anos separam ambas. Iara vive em 2012. Lucrécia, em 1812, quatro anos após a Família Real desembarcar no Rio, fugindo da invasão de Napoleão a Portugal. Período que mudou para sempre a História do Brasil. Mudou também a de Iara. Depois de viajar no tempo, além de se acostumar a alguns novos velhos costumes, ela tem de encarar o fato de Lucrécia não ter contado que, na verdade, estava escapando de um futuro que seus pais traçaram para a infanta.

Assim começa Família Imperial, série que o Canal Futura estreia dia 12, às 17h30, com a exibição especial dos dois capítulos seguintes, às 18 h e 18h30. Atualmente, quando a oferta de programas para o público infantojuvenil na TV, paga e aberta, é escassa, Família Imperial surge em boa hora. "Há muita opção para o público infantil, mas quase nada para essa faixa etária. É ótimo poder criar algo. E criar para crianças e adolescentes é mais difícil do que para adultos", conta Cao Hamburger, diretor-geral da série, cujos 20 episódios, que vão ao ar toda sexta-feira, têm direção de Gabriel Barros, Teo Poppovic e Rafael Gomes.

Hamburger entrou para o projeto a convite da Primo Filmes, que assina a produção da série em coprodução com a TV Globo. "O Futura entrou em contato com a gente e pediu ideias para uma série que se passasse no Brasil Império. Como o Cao já é referência em TV de qualidade para o público infantil e juvenil, convidá-lo foi mais do que natural", comenta o produtor Matias Mariani.

Além de ter criado programas que se tornaram referência mundial, como Castelo Rá-Tim-Bum para a TV Cultura, Hamburger provou que sabe também dirigir para o público jovem no cinema ao realizar O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias.

Não por acaso, Daniela Piepszyk, a Hannah de O Ano, foi escalada para viver Iara e Lucrécia. "A Daniela hoje tem 17 anos e está cada vez melhor. Eu disse que não abriria mão dela desde o início."

O começo, a propósito, ocorreu nos corredores do Futura. "A ideia partiu da Lúcia (Araújo, gerente-geral do Canal Futura), que sempre sonhou e falou em uma série sobre o tempo em que o Brasil tinha príncipes e princesas. A gente brincava que isso tinha se tornado uma obsessão dela, que sempre dizia: 'Vivemos valorizando as princesas europeias e esquecemos que o Brasil já teve príncipes e princesas'", conta Débora Garcia, gerente de Conteúdo e Mídias Digitais do Futura. "Mas não havia ainda a ideia de transpor os tempos. Isso foi coisa do Cao Hamburger", explica Mariani.

E é exatamente o choque de épocas, costumes, ideias e comportamentos que garante os melhores momentos de Família Imperial. Sem contar que, como se trata de uma série com claros intuitos educativos (no melhor sentido do termo), torna-se mais fácil entender os meandros da História com H maiúsculo ao descobrir a história com h minúsculo de um dos períodos menos retratados do Brasil. A cena em que Jonas (irmão de Iara, com quem viaja para o passado) enfrenta o drama de ter de "se aliviar" em um penico é hilária. O mesmo se repete com Alphonso (irmão de Lucrécia), quando descobre o "barato" do refrigerante. E este é só o começo. Família Imperial não tem ainda a segunda temporada garantida, mas até que poderia ser interessante se, da próxima vez, Iara e Jonas fossem parar no Brasil Colônia.

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