Viagem à música helênica

Estudioso francês faz uma espécie de arqueologia dos sons da Grécia Antiga

JOÃO MARCOS COELHO É JORNALISTA, CRÍTICO MUSICAL, AUTOR DE PIANO - UMA HISTÓRIA DE 300 ANOS (SELO SESC), O Estado de S.Paulo

17 de março de 2012 | 03h09

A MÚSICA GREGA

Autor: Théodore Reinach

Tradutores: Newton Cunha e Daniel Rossi Nunes Lopes

Editora: Perspectiva

(192 págs., R$ 42)

JOÃO MARCOS COELHO

Sem música, não há vida. Assim Eurípides, no século 5.º a.C., definiu o lugar desta arte na Grécia antiga. Como desvendar hoje seus fundamentos teóricos se só sobreviveram 61 fragmentos de partituras? Sabiamente, o musicólogo francês Théodore Reinach, neste livro, só coleta fatos - como um arqueólogo dos sons. Escrevendo em 1923, o autor reflete seu tempo: o da ruptura da tonalidade. Voltava-se à estaca zero, apagando a evolução da música, da Idade Média ao fim do século 19. Lá e cá experimentou-se com a microtonalidade, o temperamento e outros modos de se organizar os sons.

Esqueça os medalhões; relembre Wyschnegradsky e Alois Haba. Bem-vindo aos marginalizados do século 20 que recuperaram o sabor original da criação musical livre tal como ela existia na Grécia antiga. Nomes como Harry Partch, Charles Ives, Carrillo; uma trupe que inclui o genial Walter Smetak.

Dez dos fragmentos de partituras gregas são reproduzidos. Vale a pena solfejá-los ou tocá-los num instrumento. E viajar na web para conhecer melhor os mestres citados e surpreender-se com a atualidade deste livro.

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