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Veterano iniciante

Ator desde criança, Daniel Radcliffe vive médico em começo de carreira em série da HBO

João Fernando - O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h05

Astro do cinema desde criança, quando encarnou pela primeira vez o bruxo Harry Potter, Daniel Radcliffe, hoje com 23 anos, perdeu o posto de estrela entre os amigos próximos ao anunciar que atuaria ao lado de Jon Hamm (o Don Draper de Mad Men) na série A Young Doctor's Notebook, que estreia no Brasil no dia 19 de julho, na HBO.

"Tenho umas amigas que são fãs dele. Elas me pediram muitos autógrafos e visitas ao set. Mas eu não faria isso", conta. Na atração, inspirada nos textos autobiográficos de Mikhail Bulgakov, ele vive o atrapalhado médico Vladimir Bomgard, que começa na profissão em um vilarejo russo às vésperas da revolução. Enquanto tenta lidar com os habitantes pouco educados, em condições precárias de atendimento, ele conversa com seu alter ego no futuro, vivido por Hamm, apesar na falta de semelhança dos dois.

Ao mesmo tempo em que pede dicas ao doutor 20 anos mais velho, o jovem divaga sobre a vida e até briga com o Vladimir do futuro na frente dos outros, que não entendem bem a situação, já que não o veem. Por se tratar da mesma pessoa em fases distintas da vida, os atores tentam marcar os trejeitos em comum e os diferentes.

"Conversamos sobre algumas coisas da performance de cada um. Ele deu a indicação de situações em que ele faz quando fica nervoso, brinca com a orelha. A jornada dos personagens é ao contrário. O meu é um jovem estudante de medicina em pânico procurando seu rumo. O dele é mais maduro e está brigando com seu idealismo, tentando reaver a energia de quando era jovem", analisa.

Radcliffe teve de encarar cenas de cirurgia e até de amputação, nas quais não teve a frieza de um médico de verdade. "A perna que eu tive de amputar era nojenta. E era muito bem feita, tinha a pele, o osso, os músculos. Fizeram toda a parte interna. Foi bem nojento. A garota que teve de deitar e tirar a perna foi brilhante. Ela parecia não ter sido afetada pelo sangue falso que escorria", contou o ator britânico ao Estado, em uma teleconferência com jornalistas da América Latina.

Mesmo com um médico à disposição para consultas no set, o artista se inspirou nos relatos de pessoas próximas para as sequências com pacientes. "Eu falei com amigos que estudam medicina. Perguntei sobre as experiência ruins das primeiras cirurgias deles."

Para Radcliffe, o fato de a trama ser ambientada no interior da Rússia não espantará os telespectadores com a impressão de que é uma história muito local. "Você acharia que é assim porque é um jovem russo na Rússia, em 1917. Mas a situação dele é universal, um homem fora do seu lugar de origem e sozinho, tentando lidar com isso. É um sentimento universal."

Segundo o ator, os piores momentos dele e de Jon Hamm são os que vão chamar a atenção. "Acredito que boa comédia vem do constrangimento e do fracasso deles. Algum paciente fica com medo (de ser atendido), eles se embaraçam, se sentem estranhos e falham. Isso é que faz a graça. É um programa universal, não é só russo ou inglês. É uma história russa, escrita por ingleses e interpretada por atores americanos. Só isso já a faz um pouco internacional."

Daniel Radcliffe afirma ter ficado tenso por ser fã dos livros de Bulgakov antes da série. "Sinto um pouco de pressão. Principalmente porque gosto muito. Queria fazer direito. No primeiro dia, eu já sabia tudo. Gosto de ter certeza do que estou fazendo, isso tira um pouco essa pressão", filosofa. Para ele, a pegada do texto, adaptado por roteiristas da Inglaterra, onde a produção foi rodada e exibida no ano passado.

"Alguém me perguntou se eu achava que a tradução tinha dado certo. Acho os sensos de humor inglês e russo similares. São meio secos e obscuros. Algumas piadas são bem inglesas, acho que não seriam assim se fosse em russo. O que é interessante na série é que se trata de uma história russa sentida pela mente de ingleses engraçados e estranhos", brinca.

Com um histórico de sucesso dos filmes de Harry Potter, iniciado em sua infância, ele tenta se manter no mercado em outras produções de cinema, TV e teatro, em ficou nu na peça Equus, em 2007. Se tivesse a chance de retroceder para mudar o que viveu, Radcliffe diz que repensaria suas atitudes em casa.

"Eu não mudaria nada, tive uma vida adorável. Eu voltaria no período em que discutia muito com meus pais. E diria a mim mesmo que eles estavam certos, na real. Quando você é mais novo, acha que sempre tem razão. Quando você discute com os pais, acha que eles estão definitivamente errados e você definitivamente certo. Eles estavam certos na maior parte do tempo."

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