Vestido envelope de Diane von Furstenberg comemora 40 anos

Estilista tinha 26 anos quando desenhou peça que entraria para a história da moda

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2014 | 21h03

“Sinta-se mulher. Use um vestido” , dizia a campanha do primeiro wrap dress (o vestido envelope) criado pela estilista belgo-americana Diane von Furstenberg há 40 anos. Ela tinha 26 anos quando inventou, em 1974, a peça que entraria para a história da moda. “Quando o desenhei, pensei em algo que fosse sexy, elegante, feminino e, ao mesmo tempo, prático e fácil de vestir. A mulher precisava de tempo para pensar em outras coisas, em vez de só se produzir”, contou a estilista ao Estado em 2010, quando esteve no Brasil para a abertura da exposição Journey of a Dress, uma retrospectiva da carreira da estilista, realizada no Shopping Iguatemi. “No mesmo ano em que lancei o wrap dress vendi 4 milhões de peças no mundo e fui capa da Newsweek. Nunca imaginei que isso fosse acontecer”, comentou Diane que, para comemorar esta história, repaginou a Journey of a Dress e abriu em janeiro em Los Angeles uma exposição para comemorar os 40 anos de sua maior criação.

 

Reprodução

 

Com mais de 200 looks, a mostra traça a trajetória do vestido que virou símbolo da emancipação feminina e também de outras peças icônicas da estilista. Diane contou que sempre pensou em criar peças que deixassem as mulheres mais bonitas e livres para terem uma vida ativa e produtiva. “Eu não nasci só para esposa. Queria minha também emancipação, queria trabalhar, badalar... E criei peças pensando em mulheres como eu”, contou ela, enquanto passeava com jornalistas pelas galerias de Journey of a Dress (em tradução livre, Jornada de um Vestido), mostrando a evolução de sua moda sempre prática e contemporânea. “A mulher que trabalha não precisa estar descuidada. Praticidade continua a palavra de ordem em dias em que temos pouco tempo para estar lindas e prontas”, disse a estilista. “Ser mulher e criar para outras mulheres faz diferença. Em geral, homens não gostam de criar peças em jérsei porque não o vestem e não valorizam sua praticidade, por exemplo”, completou ela, que dividiu a exposição em várias etapas. Há desde a primeira parte ‘American Dream’, que trata da época em que Diane chegou aos Estados Unidos, e da atmosfera fervilhante dos anos 70, quando ela era figura certa nas noites badaladas do lendário Studio 54 de NY.

Completam a exposição croquis históricos, quadros pintados pelos amigos famosos, vestidos de noite que nasceram para dar brilho a esta mulher badalada e moderna também podem ser conferidos na Journey of a Dress, que antes de chegar a Los Angeles e de passar pelo Brasil, viajou pelo mundo.

Aliás, a mostra repaginada é a primeira das comemorações que a estilista preparou para este ano. Em breve, provavelmente no segundo semestre, Diane lança Pop Wrap, uma coleção-cápsula em parceria com a Fundação Andy Warhol que trará camisetas, vestidos, e acessórios; além do livro The Woman I Wanted to Be (A Mulher que eu Queria Ser). “Sempre soube a mulher que queria me tornar. Toda mulher é forte e não precisa ter corpo de homem para realizar nada na vida. Aprendi isso com os anos. E aprendi que minha função no mundo é criar peças bonitas que deixam as mulheres mais bonitas, poderosas e confiantes.”

Biografia

A belga Diane Simone Michelle Halfin nasceu em 31 de dezembro de 1946 em uma família judia de classe média alta. Tornou-se princesa ao se casar com Egon von Furstenberg em 1969. Hoje com cidadania americana, tem dois filhos e três netos.

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