Versos de Marize Castro exploram os extremos do eu lírico

MOACIR AMÂNCIO

MOACIR AMÂNCIO É POETA, PROFESSOR DE LITERATURA DA USP, AUTOR DE ATA (RECORD), O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h10

Habitar Teu Nome é o oitavo livro de poemas de Marize Castro. A poetisa vive em Natal e discretamente vem publicando suas coletâneas marcadas por uma linguagem enxuta mas não anêmica: o tom de surdina parece ter o objetivo de fazer destacar a vibração delicada e ao mesmo intensa dos versos.

Desta vez temos um poema-livro, não obstante o sumário, pois este na verdade serve mais para sugerir que se trata de um texto em fragmentos, o qual, portanto, pode ser lido em seus estilhaços. Será sempre uma leitura de textos independentes e relacionados entre si, num jogo de reflexos que se iluminam e distorcem.

Nos extremos circulam Eros e Tânatos de maneira obsessiva; há todo um imaginário mediterrâneo que poderíamos considerar o espaço virtual dessa poesia. Nada melhor que o mito para se descortinar o atemporal. Uma referência não referente.

Seguindo a mesma linha, a perspectiva do eu lírico muda sutilmente até o ponto de perder os contornos do macho e da fêmea sugerindo um ser em movimento, intangível portanto: "Acostumou-se a ser invisível /acostumou-se a ser só // pássaro" ( pág. 30). Um ser fluido num ambiente fluido, como aquelas impossíveis criaturas de Escher. Nem Eva nem Adão - sim, há, uma ressonância bíblica na poética de Marize. O nome conferiria a própria materialidade, mas diante de sua ausência, fica o vivido-imaginado.

HABITAR TEU NOME

Autora: Marize Castro

Editora: Una

(70 págs., R$ 20)

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