03 de junho de 2013 | 09h42
Muita gente vai chiar - Godard, afinal, é um ícone que não se acomoda no seu pedestal. Em Cannes, estreou o novo filme, na verdade uma produção em episódios em que Peter Greenaway e ele, entre outros, testam as possibilidades do 3D. É preciso ser godardiano de carteirinha para dar crédito ao experimentalismo (àquele, pelo menos). Mas Acossado acaba de ser lançado em DVD (duplo), pela Versátil. O filme já havia sido lançado antes, mas agora é a edição definitiva, com montes de extras.
Até certo ponto é um filme diferente de Godard, porque o argumento lhe foi fornecido por Truffaut. Ambos eram críticos da revista Cahiers du Cinéma, na fase de capa amarela. Começaram juntos, seguiram trajetórias conflitantes. Godard acusava Truffaut de se haver aburguesado. Truffaut desdenhava de seu ardor revolucionário. E ambos disputavam a paternidade do ator Jean-Pierre Léaud.
Acossado fez história por suas técnicas e pela filmagem nas ruas de Paris, com todos aqueles travellings. Câmera na mão, som direto. Michel Poiccard dispara num policial, rouba um carro. Arrasta Patricia, uma americana em Paris, no que vira caçada humana. Viver perigosamente, até o fim. Godard bebeu na fonte do cinema de gênero americano, western, policial, musical. Belmondo e Jean Seberg são a alma do filme, mas ele não parece mais tão grande. O melhor é o documentário de Claude Ventura sobre o Hotel Suède, onde Godard filmou as cenas íntimas dos dois. Está nos extras e é um regalo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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