Verônica, cheia de angústia e também de impulso vital

Crítica: Luiz Zanin Oricchio

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h12

Talvez a origem documental de Era Uma Vez Eu, Verônica, explique um pouco de sua força como ficção. A sua verdade interior. O cineasta Marcelo Gomes conta que entrevistou uma série de mulheres jovens para compreender suas dúvidas, inquietações, medos, esperanças, desejos. Foi uma imersão no universo feminino, que, transformado em ficção, rendeu esse belo filme.

Claro que nada adiantaria não fosse ter encontrado em Hermila Guedes a atriz ideal para viver essa personagem contraditoriamente encantadora. Quem é Verônica? Uma jovem médica, residente em psiquiatria, cheia de dúvidas e angústias, mas também de libido, impulso vital e, coisa rara, amor ao próximo. Como personagem, ela é muito convincente. Mesmo porque, além do seu poder de sedução, convive com gente muito crível, como o pai, vivido por W.J. Solha, ou seu namorado ocasional, interpretado pelo sempre intenso João Miguel.

O quadro de fundo é a cidade do Recife, que tem aparecido nos últimos e excelentes filmes pernambucanos como uma cidade à beira da destruição causada pela ganância imobiliária. É verdade. E desse mesmo modo a cidade surge também em Verônica. Só que, como a própria personagem principal, a cidade também é complexa. Sofre com a predação das empreiteiras e, ao mesmo tempo, revela-se cheia de vida, energia e beleza.

Verônica e Recife completam-se. Cidade e mulher são espelhos, uma da outra.

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