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Vermeer e as imagens que saíam de música

Exibição da National Gallery de Londres mostra como os sons inspiraram o pintor de Garota com Brinco de Pérola

PEDRO CAIADO , ESPECIAL PARA O ESTADO / LONDRES , O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h07

Talvez você conheça o pintor do famoso quadro Garota com Brinco de Pérola, pelo filme de mesmo nome estrelado por Scarlett Johansson em 2003. Mas o holandês conhecido por quadros que retratam cenas domésticas da vida da classe média foi muito mais que o quadro icônico. Vermeer foi um admirador da música e nela encontrou uma grande inspiração. É o que mostra a exibição de verão da Galeria Nacional de Londres, na mostra Vermeer e Música, aberta na última semana.

Em um salão com apenas cinco quadros do holandês, o tema música é pungente, entre obras como Uma Jovem Mulher Sentada em um Virginal ou Lição de Música, em que homens e mulheres tocam instrumentos musicais ou cantam. Por três dias da semana, músicos da Academia de Música Anciã do Reino Unido tocam ao vivo canções da classe média do século 17 ao lado das obras, proporcionando ao público o mesmo ambiente que possivelmente inspirou Vermeer e seus contemporâneos. A experiência é diferente de qualquer outra exibição de artes plásticas na história recente e, com ela, a National Gallery provoca o debate de que música e arte, na realidade, sempre se confundiram. "Vermeer era intrigado em expressar a experiência sensorial de ouvir através da visão", explica a curadora Marjorie Wieseman. "Os artistas da época procuraram ir além da harmonia musical com visuais que evocavam estas sensações", diz em entrevista. A exposição traz também pinturas de outros mestres da época, além de partituras e uma coleção de instrumentos musicais - os mesmos retratados nas pinturas - como o alaúde virginal e um violão ricamente decorado do século 17. "Nós tentamos recriar um pouco da vida musical da Holanda do século 17. A música era muito importante na sociedade", explica a curadora. "Questionamos que tipo de música era tocada naquela época, quem a tocava e como ela permeava a vida. E de que maneira os artistas representavam isso", comenta. "Mas, curiosamente, não há evidências de que Vermeer possuía um instrumento musical", complementa.

Estética dos instrumentos. Música e arte dividem uma história cultural que data de 40 mil anos. Nossos ancestrais cavavam flautas de ossos de pássaros e instrumentos se tornaram objetos tratados como esculturas no século 16, estabelecendo uma ligação criativa. Na época, desenvolveu-se uma ênfase na estética e na beleza dos instrumentos. Também, historicamente, percebe-se que a inspiração de artistas plásticos provaram-se valiosas em mais de um meio; Leonardo Da Vinci, por exemplo, compunha música e tocava a lira. No caminho inverso, muitos compositores tiraram inspiração diretamente da arte, como Rachmaninov, que escreveu uma canção que evocava a sorumbática pintura Ilha dos Mortos, do suíço Arnold Bocklin ou o compositor americano Morton Feldman e sua Rothko Chapel, inspirada nas obras abstratas de Mark Rothko.

A exibição da National Gallery é muito mais que apenas um foco no pintor holandês, mas uma exposição sobre a influência da música nas artes plásticas. Seria a arte constantemente aspirante à condição musical? "O que Vermeer captura tão brilhantemente é este senso da música criada naquele exato instante, nos deixando imaginar o que havia acontecido ou o que aconteceria a seguir", explicou o diretor da Academia de Musica Anciã, Richard Egarr. A mostra vai até o dia 8 de setembro.

JOHANNES VERMEER

PINTOR

Holandês nascido em

Delft em 1632, foi um pintor de poucas obras - apenas 35 foram reconhecidas - o que sugere ter sido um artista de processo lento e detalhista. Ele faleceu jovem, com apenas 43 anos. Suas marcas são obras com jogos de luzes,

retratando a vida da classe média holandesa. A Garota Com Brinco de Pérola e

The Procuress (em que

especula-se conter seu auto-retrato) são algumas das

mais conhecidas.

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