Verdi: grandioso e de muito bom gosto

O Verdi foi montado com muito capricho e impressiona sobretudo pelo bom gosto e grandiosidade de suas instalações. Uma casa realmente cara, com uma cozinha com algumas qualidades, mas que ainda precisa um pouco de sintonia fina para chegar ao nível do ambiente e do serviço. O restaurante ocupa o mesmo espaço privilegiado que já foi do Cardinale, anexo ao Shopping Higienópolis. Uma casa imponente e bonita, com entrada independente. O belo bar, quase ao ar livre, numa espécie de terraço com banquetas altas de metal, já causa uma boa primeira impressão. Depois, o salão principal do restaurante, todo em vidro com armação de metal, como um gazebo, com trabalhos em madeira no alto e uma espécie de biombo de cobre, quase uma escultura. Mesas com serviços americanos. Dois enormes lustres de cristal ajudam a dar um ar solene a esse local. Ao lado, um outro ambiente num deck de madeira meio escurinho, gostoso, com as mesas protegidas por grandes guarda-sóis e com poltronas de metal não tão confortáveis. Ficou difícil ler o cardápio com tão pouca luz. Há ainda um ambiente pequeno, para jantares e reuniões especiais. Os empresários que montaram a casa procuraram contratar profissionais de nível técnico, como o gerente Hubert Visschedijik, holandês que já trabalhou em alguns clubes e restaurantes. Ele comanda uma equipe de sala que conta com profissionais experientes. O conhecedor Renato Frascino fez a carta de vinhos, mais do que extensa, com muitos produtos espetaculares, desses que demonstram conhecimento e potência da casa, ao lado de alguns em faixas mais acessíveis, como um ótimo Valdivieso Cabernet Franc Premium de 1998 (R$ 84). Um caderno bem espesso com divisão original, pois os vinhos são listados pelas uvas, o que é meio complicado. Para pedir um Chianti, o cliente precisa saber que ele é feito basicamente com a uva Sangiovese, por exemplo. Felizmente, o bom sommelier da casa pode ajudar. Para a cozinha, foi contratado Camilo Contardi, que trabalhava em Florença e que fez um cardápio atraente, bastante calcado na tradição. Ele propõe 15 entradas com preços entre R$ 24 (salada caprese) e R$ 50 (fatias de lombo de porco aromatizadas com trufas negras); 13 massas entre R$ 28 (tagliolini com tomate e manjericão) e R$ 61 (tagliolini com trufas negras); 5 risotos entre R$ 45 (o de frutos do mar) e R$ 50 (ao salmão e caviar); 3 sopas todas a R$ 24 (como o caldo de feijão com massa e alecrim); 6 peixes e crustáceos entre R$ 45 (fritura mista do mar) e R$ 62 (bacalhau cozido no vapor de menta com grão-de-bico e alcachofras fritas) e 9 carnes e aves entre R$ 49 (filé mignon ao molho de pimenta verde e legumes) e R$ 85, (escalope de filé ao molho de trufas negras e arroz com queijo parmesão). Alguns pratos agradaram, mas a cozinha não se mostrou à altura do ambiente e dos preços. O chefe chegou há pouco e talvez a equipe esteja precisando de entrosamento. Muito farta mesmo a salada de rúcula com muitos frutos do mar e um molho bem potente, com toque de acidez quase agressivo (R$ 36). Melhor, mais delicada e igualmente farta a polenta de grão-de-bico com frutos do mar (R$ 35). O melhor prato da noite foi um tagliatelle com medalhões de lagosta com molho de tomate (R$ 51). A massa assimilou o sabor do molho e o resultado final agradou bastante. Altos e baixos no nhoque com molho de flores de abobrinha e açafrão (R$ 45). Nhoque de batata muito gostoso e molho um pouco pesado, salgado demais. Pratos bem decorados com folhas comestíveis. Correta a vitela cozida com polenta (teneroni di vitelo in umido com polenta, R$ 51). Um corte da vitela assado no forno com um molho com tomate, cenoura e outros ingredientes. Peixes razoáveis, começando por um "faggotini" de peixe espada recheado com camarão, bacon e presunto defumado (R$ 55). Os demais ingredientes dominavam o sabor delicado do peixe. No mesmo nível e com o mesmo problema o pargo ao forno com batatas, azeitonas pretas, tomate fresco e orégano (R$ 56).

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2003 | 17h06

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