Verdi em versão eficiente e equilibrada

Grande música para grandes personagens, construídos por um Verdi que refinava cada vez mais sua linguagem teatral. Rigoletto, não por acaso, é um marco do repertório operístico, recriado em nova montagem do Teatro São Pedro apresentada em cinco récitas ao longo da semana passada.

Crítica: João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2010 | 00h00

Como o trágico bobo da corte Rigoletto, o barítono Lício Bruno revela conhecer bem a partitura, construindo um arco contrastante que mostra desde o cinismo com que se comporta perante a corte até a dor que sente ao perder a filha, passando pelo misto de doçura e desespero com que pretende protegê-la, deixando em segundo plano dificuldades vocais, em especial nas partes mais agudas da partitura. Como Gilda, Laura Rizzo é vocalmente impecável, mas cresce em dramaticidade ao longo do espetácul0 - e o mesmo vale para o elegante duque do tenor Miguel Geraldi. O baixo Sávio Sperandio adiciona o matador Sparafucille à galeria de papéis que tem interpretado de modo marcante nos últimos anos - e, no quarteto do último ato, o timbre quente da Madalena de Adriana Clis rouba a cena.

A direção de Lívia Sabag é eficiente, esteticamente moderna mas atenta aos detalhes do libreto e da partitura. Do fosso, a recém-criada Orquestra do Teatro São Pedro, que fazia sua estreia em óperas, mostra, sob o comando de Roberto Duarte, melhora notável com relação a suas primeiras apresentações, confirmando que a presença de um grupo estável é fundamental para o crescimento artístico do teatro, que já se revela neste Rigoletto.

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