Verde e cultura na Luz

Arquiteto expõe detalhes do complexo cuja construção deve começar em 2013

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h09

O projeto do Complexo Cultural Luz, que, pelo cronograma, começará a ser construído no início de 2013 no terreno em frente da Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes, foi apresentado ontem na Secretaria de Estado da Cultura, em evento que contou com a participação do governador Geraldo Alckmin. O empreendimento do governo estadual abrigará três teatros e as novas sedes da São Paulo Companhia de Dança e da Escola de Música do Estado de São Paulo - Tom Jobim, além de biblioteca como áreas públicas e verdes. A obra está orçada em torno de R$ 500 milhões e prevista para ficar pronta em quatro anos.

"Em junho teremos a audiência pública, já antecipadamente, vamos licitar a gerenciadora para fazer todo o acompanhamento de edital e esperamos abrir a licitação no fim do ano. O projeto executivo ainda vai ser detalhado para se iniciar as obras no começo do ano que vem", afirmou Geraldo Alckmin. "A revisão do projeto foi importante, porque ele tinha 100 mil m² de área construída e reduziu-se para 70 mil m². Ganhamos três hectares de área verde e também uma redução de custos importante", disse ainda o governador.

Em janeiro de 2011, o escritório suíço Herzog & de Meuron, contratado em 2008 por R$ 43 milhões para realizar o projeto básico do Complexo Cultural Luz, teve de fazer uma redução de sua proposta inicial a pedido do governo do Estado de São Paulo. "Ficou mais arejado e com mais presença do verde", afirmou ontem o arquiteto brasileiro Marcelo Bernardi, que integra a equipe de Jacques Herzog e Pierre de Meuron e participa do projeto brasileiro. Inicialmente, a obra estava orçada em cerca de R$ 600 milhões - agora ficou em torno de R$ 500 milhões, provenientes do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Estado de São Paulo.

Além da construção de um complexo cultural em uma área degradada da região central de São Paulo, a ideia é criar uma obra capaz de interligar espaços criando um "cinturão verde". Por isso, a primeira fase, como disse Bernardi, é começar a realização de um parque na Praça Júlio Prestes - e assim, conectar a nova construção, ainda, à Praça Princesa Isabel. Também será feita a ligação de uma linha de metrô entre a Estação da Luz e a Sala São Paulo, como afirmou o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo. "O papel do complexo é a revitalização do centro, um equipamento que funcionará dia e noite com suas escolas e espetáculos", disse.

Pelo projeto apresentado, o Complexo Cultural Luz é, como explicou Marcelo Bernardi, uma "mistura heterogênea de área pública, áreas verdes e espaços", feita de uma construção de estruturas de concreto e salas de vidro, repleta de lajes entrelaçadas - algumas delas, que se projetam, tornando-se terraços - e jardins. O projeto paisagístico é assinado pela arquiteta e paisagista de São Paulo Isabel Duprat.

Bernardi afirmou que o segundo pavimento do Complexo Cultural Luz será o principal, com destaque para o Grande Teatro com 1.750 lugares e dedicado a apresentações de dança e ópera. Já sobre os equipamentos educativos, o espaço dedicado à São Paulo Companhia de Dança "é a maior lâmina do projeto", disse o arquiteto, com salas de ensaio feitas de vidro. A Escola de Música Tom Jobim terá uma "praça dos alunos" com área comparável ao vão livre do Masp, contou Bernardi. Além do Grande Teatro, sala para recitais e espaço experimental para artes cênicas, dois locais das escolas também podem se transformar em lugares pequenos de apresentações.

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