VERÃO NA PISTA DO HOT CHIP

Joe Goddard, colíder da banda, fala sobre o dance pop ensolarado do último disco, In Our Heads

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2013 | 02h09

Em 13 anos de carreira, o Hot Chip foi de dupla fascinada por r&b, que tentava recriar sons de Timbaland e Destiny's Child em um estúdio caseiro, ao status quo da dance music indie. A construção de hits espertos, que fujam da norma, mas ainda agradem aos ouvidos, é o fio de narrativa dos cinco discos lançados durante este tempo. Chegaram, no ano passado, a In Our Heads, um trabalho ensolarado, com letras que falam de tranquilidade conjugal e amizade, vestidas por detalhistas produções de dance music. Joe Goddard, o capitão da banda, que vem ao País em abril, para o festival Lollapalooza, falou ao Estado sobre o disco e os novos interesses do Hot Chip.

In Our Heads, o quinto disco do Hot Chip, é mais ensolarado que os outros. Como estavam se sentindo quando gravaram?

É um disco positivo. Todos estavam num clima bom. A vida familiar dá uma certa tranquilidade a nós. Não é o que todos querem ouvir. Não é o que vende na mídia, mas é como nos sentimos. O cara com que trabalhamos, Mark Ralph, também foi ótimo. É um daqueles que consegue equilibrar as pessoas.

Seria um traço da maturidade artística da banda criar com mais facilidade?

Ainda tenho momentos de dúvida e angústia quando estou começando um trabalho. Jogo fora diversos esboços quando vejo que não serão músicas interessantes. É difícil fazer algo que tenha frescor. Mas quando chegamos ao estúdio, já temos uma ideia bem nítida de o que queremos, e tudo fica mais fácil.

Nos últimos anos, o Hot Chip tornou-se onipresente em pistas de dança. Mas isto não parecia ser a direção tomada quando vocês começaram. Como surgiu o fascínio?

No começo, não estávamos muito interessados em house e disco. Não conhecíamos muitas coisas. Os dois primeiros discos são mais na onda de r&b e soul music. Há alguns momentos de garage, de dance. Mas é mais funk e soul. Nossa obsessão com disco e tecno cresceu ao longo dos últimos dez anos, através de discotecagens em casas noturnas. Por passar tanto tempo na pista, acho que nossos cérebros focaram nisto naturalmente.

Seu duo de house music, o Two Bears, parece satisfazer

esse lado, mas com o Hot Chip, vocês são respeitados em blogs indie e blogs de dance music. Poucos conseguem alcançar esta dualidade.

No Two Bears há também coisas menos focadas em música de pista, mas é um disco específico de house music. Surgiu das minhas noites de DJ, junto ao Ralf, o outro cara que toca comigo. Não tenho nada contra música indie. Mas o jeito que as coisas progridem na comunidade de dance music é muito interessante. Os músicos estão sempre produzindo discos com sons que você nunca ouviu antes. Não que não existam muitas faixas enfadonhas de house sendo produzidas por aí. Há milhares delas. Mas há sempre alguma inovação sendo feita em algum outro canto.

E quem anda escutando?

De bate pronto, lembro dum cara chamado Joe, do selo Hessle Audio. Há faixas interessantes pelo Ossie, da hyperdub. Ou Blawan. John Talabot, de Barcelona, é ótimo. Clouds, uns caras escoceses que lançaram um ótimo disco no selo do Tiga, no ano passado. Há muitas coisas rolando por aí. E sempre estou de olho.

Você sente a influência desses selos no som do Hot Chip?

É possível que sim, mas não funciona tão bem. A estética desses selos é geralmente muito minimal. Hessle é esquelético, picotado, soturno, com ritmos quebrados. A ideia é bem diferente de música pop, que tende a ser cheia de vocais e harmonias. Acho que o The xx faz música minimal nesse sentido. Mas nossas faixas são mais tradicionais. Soam como New Order, ou bandas semelhantes.

A banda tem quatro membros fixos hoje em dia, mas no começo era só você e o Alexis Taylor. Como dividem as tarefas?

Dividimos meio a meio. Escrevo a maioria das músicas; Alexis faz a maioria das faixas. Algumas são feitas inteiramente por ele, outras por mim. Mas todo mundo no grupo tem uma curiosidade pela produção. Eu tenho essa responsabilidade. As faixas de pista geralmente começam no meu quarto. E eu tenho uma ideia mais clara de onde tenho que ir.

E como se dá a gênese de uma faixa do Hot Chip?

Ao longo dos anos, desenvolvi um certo processo. Programo ritmos e acordes na tela do meu computador, o que muitas pessoas fazem. Eu sou bem fraco de técnica instrumental. Toco um pouco de teclado e guitarra, mas é só. É mais fácil fazer loops e tentar encaixar melodias e ritmos, como em um quebra-cabeça. Tenho feito isso por tanto tempo que desenvolvi uma certa agilidade para isso.

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