Vera Fischer, 50 anos

Quando Vera Fischer, aos 17 anos, era Miss Brasil em 1969, o estrogonofe, prato que ela dizia ser seu favorito naquelas entrevistas de miss ("adorei ler O Meu Pé de Laranja Lima", afirmava então), era chique. Virou brega, foi desterrado das mesas. Hoje, o estrogonofe voltou e faz sucesso. Vera Fischer também. Ela faz 50 anos hoje. Para os fãs, tão ou mais apetitosa quanto o prato que, como ela, venceu todas essas décadas.O estrogonofe deve estar fora do cardápio da festança que a atriz dará, no próximo dia 1.º, para 300 convidados, no seu sítio em Guaratiba, no Estado do Rio: achando que o dia vai ser quente, a aniversariante limitará o menu a pratos frios. Para esquentar, a música rolará solta com o DJ Don Pepe. Os convidados, na maior parte amigos próximos de Vera, uma pessoa generosa e exuberante que tem muita facilidade de conquistar amizades, deverão se esbaldar no local que tem 20 apartamentos, horta, cavalos e muito mais. Nesse muito mais estão incluídos objetos que a aniversariante trouxe de sua recente viagem ao Marrocos, onde gravou cenas da primeira fase da novela O Clone, em que é a oferecida e interesseira Yvete.O sítio foi reformado recentemente e quem tomou conta das mudanças do local foi o ex-marido de Vera, o ator Perry Salles, que deve entrar brevemente na novela estrelada por ela. Perry e Vera estão ligados por uma amizade duradoura e pela filha Rafaela, também atriz. Vera também é mãe de Gabriel, que teve com o ator Felipe Camargo. Solteiríssima, ela estará brilhando na festa que a lançará no papel de cinqüentona a bordo de um longo dourado (que mais?), desenhado pela estilista Alice Tapajós. Num país de gente morena, quando não parda, e marcada pela herança genética africana, Vera Fischer é um ícone que, mais que um símbolo meramente sexual, é um mito da mulher linda, bem tratada e obviamente de um estrato social elevado, com seu corpo opulento, cabelos longos e loiros, olhos muito azuis.É verdade que no Sul esse tipo não é raro, mas para o resto do País é uma minoria, basta ver as vertiginosas vendas das tinturas que transformam cabelos castanhos ou negros em todas as tonalidades loiras, do amarelo-ovo ao platinum. Assim, Vera tinha tudo para ser a rainha das pornochanchadas. Ela estreou com Sinal Vermelho: as Fêmeas, em que tinha como grande cena umas voltinhas na piscina sobre um colchão de plástico, deitada de bumbum para cima -- sem o biquíni. E vieram A Superfêmea, Essa Gostosa Brincadeira a Dois, As Mulheres que Fazem Diferente, mas o filme que mais percebeu o lado sexy de Vera e que respondeu à ânsia nacional pela mulher loira foi O Anjo Devasso, de Alfredo Sternheim, que, como crítico de cinema bem informado, transformou Vera numa versão nacional da Lola-Lola de O Anjo Azul, uma Marlene Dietrich adaptada à libido nacional. Mas a produtora faliu e Vera ficou sem seus 5% da bilheteria. Desafios no palco - Na década de 80, talvez a partir da novela Brilhante, Vera Fischer abandonou o jeito de miss e o modelão da superfêmea da Boca do Lixo. Ela se tornou a estrela número 1 da Globo (ou pelo menos uma delas) ao substituir Sônia Braga como o eixo romântico do folhetim de Gilberto Braga, deixando como coadjuvantes gente como Fernanda Montenegro.Todos os que conheceram a atriz desde o começo dizem que houve uma Vera antes de Perry Salles (com quem ela se casou em 1974) -- no tempo em que as más línguas dizem que ela até teve um caso com o patrocinador de um programa na TV-Rio para conseguir ser apresentadora da atração - e outra, bem diferente, depois do casamento, quando ela, por assim dizer, sossegou e resolveu se tornar uma atriz para valer. Vencida a etapa Perry, Vera, ao que parece, perdeu o rumo. Ao deixar o marido, ela perdeu também o empresário e, de certa forma, o norte de sua vida. Em 1988, encontrou seu segundo marido, o ator Felipe Camargo, que fazia seu filho na novela Mandala, uma adaptação de Édipo-Rei. Foi uma fase turbulenta, de denúncias de violências no dia-a-dia do casal, em que brigas e agressão física contracenavam com problemas de alcoolismo e consumo de drogas pesadas. A natureza sábia impediu que Vera mudasse. Ela estava na pior, todos sabiam, mas continuava linda e cada vez melhor como atriz, apesar dos pesares. Ela e Felipe começaram a brigar pela guarda do filho Gabriel, que foi retirada da estrela. Em 1997, ela resolveu dar um basta na dependência e fez uma temporada de desintoxicação numa clínica. Ao mesmo tempo, enfrentou o desafio de fazer teatro, com uma personagem tão complexa e dramática quanto o momento que vivia: a Maggie de Gata em Teto de Zinco Quente, de Tennessee Williams. Teve um relacionamento de dois anos com o ator Floriano Peixoto, sem os desastres da união com Camargo.Cada vez mais estrela, estrelou novelas como Pecado Capital e Laços de Família, que a colocaram mais no topo da constelação global. Ela está lá agora. Nada mau para a garota que nasceu em Blumenau, resolveu ser miss, comeu o pão que o diabo amassou e virou estrela. E, bonita, sem frescuras de dieta, aos 50 anos, pode até comer seu estrogonofe, usando seu vestido dourado, sem dar satisfações a ninguém. Veja a galeria de imagens

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