Venturi vence em recife

Estamos Juntos, mix de drama pessoal e social, leva sete principais prêmios

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

Estamos Juntos, mix de drama pessoal, social e espiritualista de Toni Venturi, foi o grande vencedor do 15º Cine PE. Além de melhor filme, ganhou os troféus de direção, atriz (Leandra Leal, que dividiu o prêmio com Marisol Ribeiro), roteiro, fotografia, montagem e prêmio da crítica.

Se festivais fossem campeonatos, poderíamos dizer que outra produção paulista, a comédia Família Vende Tudo, de Alain Fresnot, chegou em segundo lugar, com os troféus de ator (Caco Ciocler), atriz, ator coadjuvante (Robson Nunes), direção de arte e trilha sonora.

A produção local JMB, o Famigerado, que põe em foco o poeta tropicalista Jomard Muniz de Britto, recebeu o prêmio especial do júri e o troféu do público. O carioca Vamos Fazer um Brinde rendeu o prêmio de atriz coadjuvante para Ana Miranda.

Dois longas saíram sem qualquer menção: Casa 9, de Luiz Carlos Lacerda (RJ), e Casamento Brasileiro, de Fauzi Mansur (SP). Coincidência ou não, ambos levaram ao Recife cópias de baixa resolução, o que redundou em projeção precária.

Por isso, o diretor do festival, Alfredo Bertini, anunciou que arquivos com definição inferior a 1080 linhas não serão aceitos a partir do próximo ano: "Vamos unificar os suportes digital e película, inclusive para curtas, mas precisamos zelar pela qualidade da imagem",

Seria preciso também zelar pela qualidade estética, como deixou claro o (baixo) nível da competição de longas. Tirando o vencedor Estamos Juntos, um belo e digno filme, o restante do cardápio se mostrou intragável.

Família Vende Tudo é extremamente problemático, além de muito irregular. Vamos Fazer um Brinde é de uma ingenuidade ginasiana. Casa 9, além da insuficiência técnica, limita-se ao episódico sem alçar o voo que poderia. JMB traça o perfil de um personagem carismático a partir do empilhamento de depoimentos quase sem montagem. E Casamento Brasileiro é tão tosco que só pode dizer alguma coisa a quem acha que quanto pior for o filme, melhor; ou, pelo menos, mais divertido.

Por que isso acontece? Bertini ensaia a resposta: "Está cada vez mais complicado montar uma programação de bons longas-metragens nos festivais brasileiros". De acordo com o diretor do Cine PE, os donos dos filmes mostram-se muito preocupados em participar de eventos no exterior, deixando à míngua os festivais nacionais. "Depois que sai a lista de Cannes, e eles veem que não estão nela, ligam perguntando se ainda dá tempo de inscrever seus filmes", conta. E emenda com uma ideia polêmica: "Como as produções são feitas com leis de incentivo, ou seja, dinheiro do contribuinte brasileiro, deveriam dar preferência aos festivais do País".

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