Vendas decolam no encerramento da Bienal

O prestígio de determinados autores foi responsável pela arrancada nas vendas que marcou os últimos dias da 18.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que terminou ontem, no Centro de Convenções Imigrantes. Lya Luft, Paulo Coelho, Ziraldo e o personagem Harry Potter alavancaram os números que, se não garantiram um sucesso compartilhado por todos, ao menos encorajaram céticos a continuar investindo na Bienal."Sempre digo que o objetivo não é vender bem", comentou Paulo Rocco, que dirige a editora que leva seu nome, além de presidir o Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel). "Lógico que todo lucro é bem-vindo, mas o mais importante é estabelecer contatos que possam gerar dividendos mais duradouros." Alguns concordam, como Marcelo Duarte, autor e diretor da Panda Books, que calculava encerrar a Bienal com todo investimento recuperado. "Meu ganho maior foi estabelecer contato com livreiros do Pará, de Mato Grosso e outras regiões aonde meus livros ainda não chegam", disse.A grande visitação de livreiros, aliás, foi observada pela maioria dos editores, especialmente os médios e pequenos, que enfrentam problemas de distribuição. "Foi a grande chance para muitos estenderem seus negócios", comentou Duarte, preocupado também, durante todos os dias, com a disposição de alguns colegas de colocar seus títulos em liquidação. A prática, que normalmente acontece no último dia da Bienal, foi antecipada por alguns, temerosos de carregar um grande encalhe.Isso provocou uma variação nos números finais das editoras. Entre as grandes, havia as que contabilizavam aumento de vendas em relação à Bienal de 2002 (30%, no caso da Rocco). Outras acreditavam em equilíbrio entre custos e benefícios. "Até quinta-feira, oitavo dia da Bienal, vendemos 37 mil livros, o correspondente a R$ 185 mil - números que já ultrapassaram em 7% a última edição no Rio em 2003 e 45% em relação à Bienal de São Paulo, em 2002, considerando o mesmo período, ou seja, uma semana de feira", afirmou Breno Lerner, diretor-geral da Melhoramentos, em boletim divulgado pela Câmara Brasileira do Livro.O número de visitantes (550 mil) deve ficar um pouco aquém da expectativa (600 mil pessoas) da CBL, que hoje divulga o resultado oficial. Esse número também é inferior ao alcançado na Bienal de 2002: 560 mil. "Não podemos esquecer que passamos por um período de restrição econômica. Ainda assim, estamos muito satisfeitos com o resultado da Bienal", comentou o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, Marino Lobello. Para ele, outros números devem ser analisados: "Sabemos que 35% dos nossos visitantes vieram pela primeira vez", ressaltou. A CBL estuda um novo endereço para a Bienal, considerando o descontentamento do público com o local.

Agencia Estado,

26 de abril de 2004 | 09h20

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