Vencedor de concurso do BNDES, Martino toca na UFRJ

Vencer uma competição internacional de música pode ter um lado muito bom e outro bem pernicioso. A glória e o reconhecimento do talento e do esforço são, naturalmente, a parte mais doce. A cobrança que se segue e a necessidade de apresentar um repertório mais e mais consistente podem gerar uma angústia que qualquer jovem virtuoso tem dificuldade de digerir. Aos 23 anos, premiado desde os nove em concursos no Brasil, em Portugal e na Alemanha - sempre com os primeiros lugares -, o pianista paulistano Fabio Martino já tirou suas conclusões.

AE, Agência Estado

05 de dezembro de 2011 | 10h46

"Quando você ganha, é perigoso, porque você acaba adquirindo uma série de responsabilidades: de oferecer um repertório bom, de fazer concertos com orquestras, de manter a alta qualidade. Muitas vezes a pessoa ganha e acaba tendo uma série tão grande de obrigações que não consegue levar adiante", diz o rapaz, que se apresenta terça-feira no Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ.

Campeão do concurso de piano do BNDES realizado ano passado - a primeira grande competição no Rio depois de quatro décadas de intervalo -, Fabio é um dos artistas convidados do festival internacional que o banco promove até o dia 11. Neste dia, apresenta-se, no Municipal, aquele que, nos anos 50, saiu dos bancos de concursos para inscrever seu nome entre os grandes do mundo: Nelson Freire.

"Ele dá quase uma espécie de bênção, é como se fosse um padrinho", diz a diretora artística do concurso e do festival, Lilian Barreto. Sua intenção é realizar os concursos nos anos pares e os festivais, com estrelas de todo o mundo, nos ímpares.

Ela se desdobrou para ter na grade dessa edição seis estrelas reveladas nas principais competições do mundo, sendo três russos. Entre eles, Daniil Trifonov, de 20 anos, que em julho venceu o Tchaikovsky, em Moscou, o mais prestigioso de todos, e já tinha 60 concertos marcados logo depois. A sorte foi que o garoto do país gelado sempre tivera curiosidade de conhecer a capital tropical do Brasil. Ele abriu a festa, na semana passada, tocando Chopin e Liszt, numa performance muito aplaudida. Seu conterrâneo Evgeny Brakhman brilhou, três dias depois; sexta, foi a vez do chinês Haochen Zhang. Esta semana, antes de Nelson Freire, tocam o russo Lukas Geniusas (sexta) e o japonês Kotaro Fukuma (sábado).

Experiência - Fabio é o mais velho da turma. Ele veio do frio, como os demais: está desde 2008 morando em Karlsruhe, no sudoeste da Alemanha. Recebeu uma bolsa, cursou música na Universidade de Karlsruhe, e mês passado concluiu o mestrado. Seus concertos vêm ganhando críticas arrebatadas, que falam das performances "de alto nível", "soberana", "de vigor e brilho".

Os estudos começaram aos cinco anos. Em janeiro, vai gravar seu primeiro CD solo. No recital de terça, vai de Liszt a Scriabin, temas de sua dissertação. A hora é de colher os frutos do concurso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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