Leonardo Aversa/Divulgação
Leonardo Aversa/Divulgação

Vem aí a onda da balada clássica

Democlássicos leva obras de câmara a casas noturnas como o Studio SP

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

Pode provocar surpresa, mas a proposta é essa mesmo: levar a música clássica a casas noturnas de diversos Estados do País. A ideia surgiu há alguns anos na Europa, seguiu para os Estados Unidos e agora chega ao Brasil. Durante cerca de uma hora, instrumentistas vão fazer um pequeno concerto, buscando apresentar a um novo público esse tipo de música. "Há uma geração aberta a novos sons. Experimente perguntar a um jovem frequentador de casas noturnas como é o iPod dele. Vai ter de rock a MPB, passando pelo jazz, world music e música de raiz brasileira. A juventude deste início de século 21 não tem preconceitos musicais como os punks dos anos 70 ou os góticos dos 80 tinham. É gente bem mais aberta, disposta a ouvir coisas novas e a fazer misturas", diz a jornalista Heloísa Fischer, do Instituto VivaMúsica!, idealizadora do projeto.

Em São Paulo, o projeto invade o Studio SP, onde estarão os músicos Felipe Prazeres, Carlos Prazeres, Ivan Zandonade e Marcus Ribeiro- eles seguem depois para Porto Alegre, Cuiabá e João Pessoa. Heloísa explica como funciona a apresentação: "Não há qualquer interferência da música eletrônica. Os músicos sobem ao palco e fazem um show de música clássica "normal". Carlos prazeres, nosso bandleader, vai fazer breves pontuações sobre as músicas, mas nada de explicações históricas ou didáticas. Antes e depois do show, rola uma seleção musical num clima meio lounge com artistas pop que se aproximam do universo dos clássicos, como Björk, Rufus Wainwright, Elvis Costello. Vamos levar essa seleção pra tocar em todos os lugares, menos no Studio Sp, pois a casa tem DJ."

Heloísa conta que sempre navegou com naturalidade entre o mundo clássico e o pop. "Ia a shows alternativos, saía para dançar. E, muitas vezes, no meio de festas ou shows, eu olhava em volta e me perguntava: "Como fazer pra esse monte de gente que gosta de novidade em música preste atenção também à música clássica"? Vivemos tempos de convivência entre diversidades em muitos setores da vida, na música clássica inclusive. E a música contemporânea, ainda tida como "difícil" para as plateias tradicionais de concerto, é perfeita para ouvidos jovens, já acostumados a experimentos sonoros em outros estilos musicais."

Com essas ideias na cabeça, ela foi aos poucos esboçando o projeto, batizado de Democlássicos. "Há alguns anos cheguei a dar consultoria para um produtor carioca que queria montar uma noitada de música clássica. Mas a coisa acabou enveredando pra um mix com música eletrônica e isso não me interessa. Fica parecendo aquela coisa de dar remédio para criança amassado na goiabada, para ela não sentir o gosto amargo. Acredito de verdade no poder de atração da música clássica para o pessoal que tem entre 18 e 40 anos, que frequenta shows alternativos, sai à noite, gosta de novidades sonoras, mas não vai a salas de concerto. Não vejo necessidade de mesclar com outros gêneros. Minha aposta é que tem uma geração auditivamente aberta a novidades que vai curtir e ouvir clássicos também, mas tem de ser no lugar onde elas estão acostumadas a frequentar. A dose de raridade é enorme, tem que ter um pouco de redundância para que a mensagem dos clássicos chegue melhor. Quando soube do edital de circulação de música clássica da Funarte, pensei que seria uma ótima oportunidade para testar essa hipótese."

DEMOCLÁSSICOS

Studio SP. Rua Augusta, 3129-7040. Hoje, 0h. Grátis.

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