"Vau de Sarapalha" encerra temporada em SP

Hoje é a última oportunidade para os paulistanos assistirem a Vau de Sarapalha. É uma das melhores peças dos últimos anos e vem lotando teatros como há muito tempo não se via. A apresentação integra a programação do Balaio Brasil e vai acontecer no teatro do Sesc Ipiranga às 21 horas. Com menos de 300 lugares na platéia e preços de R$ 10, R$ 5 (estudante) e R$ 3 (comerciário), a fila vai ser grande.Um conto obscuro e desprezado pelo próprio autor, João Guimarães Rosa, é o enredo para a peça paraibana feita com atores pouco conhecidos e concepção cênica inovadora. Sarapalha faz parte do livro Sagarana e, segundo Luis Carlos Vasconcelos, diretor da peça e autor da adaptação, Guimarães Rosa o achava um conto "menor" em sua obra. Vasconcelos é o único "famoso" no elenco. Interpretou o marido mais novo de Regina Casé em Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington, produção escolhida para representar o Brasil na corrida ao Oscar 2001.O diretor lidera o grupo de teatro Piollin, que há 23 anos faz trabalhos educacionais com as crianças carentes de João Pessoa, além de excelentes peças. Vau de Sarapalha é a mais recente, e foi criada pelo grupo em 1992. Sua temporada em São Paulo na sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo terminou ontem, com pelo menos 30 pessoas além da lotação máxima, de 324 lugares. Segundo a produtora da peça, a lotação da sala se repetiu durante toda a temporada.O texto é bastante fiel ao original. Apenas um personagem foi criado, o capeta, interpretado pelo percussionista Escurinho, com quem a velha Ceição, vivida pela atriz Soia Lira, conversa. A participação do personagem de Soia também foi ampliada. "Ela era apenas citada no conto mas nós achamos que ela poderia ser um figura importante para mostrar a repetição das tarefas diárias que faz o cotidiano dos personagens mais árido ainda", conta Vasconcelos.Primo Argemiro (Nanego Lira) e primo Ribeiro (Everaldo Pontes) passam todo o tempo de cócoras, conversando sobre este cotidiano mais infértil do que a terra em que vivem, onde a malária os atinge e as pessoas amadas vão embora em busca de melhores dias.A sonoplastia é feita por Escurinho, dentro do palco, e todos os outros sons do sertão são produzidos pelos próprios atores. A iluminação é preciosa, com grande uso do fogo como elemento cênico em contraste com grandes momentos de escuridão total, fiel à noite sertaneja.Com a corrida pelo Oscar, Luis Carlos Vasconcelos pode virar fenômeno, mas o convite para fazer filmes surgiu depois de Vau de Sarapalha. "Fui chamado para fazer o Lampião em Baile Perfumado depois do diretor ver a peça. Depois Walter Salles me convidou para fazer o Primeiro Dia, e o convite para o teste de Eu, Tu, Eles também veio por causa do Vau", conta o paraibano de Umbuzeiro.Eu, Tu, Eles estréia no EUA em dezembro com distribuição da major Sony. Vai precisar de muito lobby e exibições para conseguir o feito que nem Central do Brasil de Walter Salles conseguiu.Depois da apresentação de hoje o grupo volta para a Paraíba, onde planeja uma temporada em Fortaleza no teatro José de Alencar a partir do dia 12 de janeiro.

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