Vários artistas celebram 50.º aniversário do Guggenheim

Aberto em 1959, museu é um dos espaços favoritos de arquitetos em todo o mundo e um ícone da cultura pop

REUTERS

17 Fevereiro 2010 | 16h58

'Cento e Cinquenta Marylins Multicoloridas', de Andy Warhol, faz parte da coleção do museu. Foto: EFE/Miguel Toña

NOVA YORK (Reuters Life!) - Quase 200 artistas, designers e arquitetos de todo o mundo criaram obras para comemorar o 50.º aniversário do Museu Guggenheim, em uma exposição que abarca a rotunda espiralada do museu, um dos marcos de Nova York.

Sonhadores, estranhos, provocantes, sexualmente carregados e em vários casos marcados por declarações sérias de posição social e política, as criações que compõem a mostra "Contemplando o Vazio: Intervenções no Museu Guggenheim" vão desde esboços simples até complexas obras de videoarte.

As demonstrações de como os artistas preencheriam o cilindro de quase 30 metros do museu criado por Frank Lloyd Wright serão expostas no museu até 28 de abril.

"Testemunhei artistas criando exposições, e todos foram atraídos pelo centro", disse Nancy Spector, vice-diretora e curadora chefe da Fundação Solomon R. Guggenheim. "Todos utilizaram o espaço central, de uma maneira ou de outra."  Obra sem título realizada entre 1952-53, de Mark Rothko. Reuters/Vincent West

Aberto em 1959, o museu é um dos espaços favoritos de arquitetos em todo o mundo e um ícone da cultura pop.

Spector pediu aos artistas que deixassem de lado todas as considerações práticas, de viabilidade e de despesas quando criassem seus designs.

"Eles foram incentivados a criar e construir para preencher o vazio, usando o museu como armadura", explicou.

Ela selecionou artistas muito versados em relacionar-se com o espaço e que trabalham de modo bidimensional.

O resultado foi um misto eclético de obras vindas de Bogotá, Paris, Genebra, Amsterdã, Copenhague, Milão, Londres, Berlim, Tel Aviv e cidades americanas.

Spector e David van der Leer, curador assistente de arquitetura e design do Guggenheim, procuraram coesão ao expor as 193 obras apresentadas.

"Tentamos tornar isso o mais visualmente agradável possível", disse van der Leer.

A artista conceitual Martha Rosler, de Brooklyn, em Nova York, criou "Floating Bridges" como print digital.

"Me pareceu que eu queria ativar o espaço, para que as pessoas pudessem enxergá-lo como uma maneira inteiramente outra de entrar no espaço e usá-lo. E, é claro, normalmente não se entra no átrio pelo ar", disse Roslen.

"Então criei uma espécie de Shangri-La com pontes quebradas em um paraíso imaginário, algo que guarda relação parcial com a visão utópica de Frank Lloyd Wright do espaço e da arquitetura."

Com tantos trabalhos imaginados para o espaço, o espectador se pergunta se Wright, conhecido por sua arquitetura orgânica baseada na ideia da harmonia entre os humanos e o mundo natural, aprovaria.

"Tudo isso talvez fosse muito estranho para ele", disse Spector.

A firma arquitetônica nova-iorquina WORKac, que faz planejamento urbano, sentiu uma conexão com o museu quando criou "Flow Show" como print digital. A obra é baseada em uma série de projetos que a firma vem fazendo sobre a capacidade de uma infraestrutura ecológica oferecer novas formas de espaço público.

A maioria das obras na exposição será vendida através de leilão silencioso num evento beneficente para o museu que acontecerá em 4 de março, com um componente online para quem não puder comparecer pessoalmente. t

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