Variedade é a tônica dos filmes do 17º É Tudo Verdade

"À vezes não há forma melhor de se aproximar de um universo do que na forma do documentário", declarou ontem Amir Labaki, diretor do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, na ocasião do anúncio da programação da 17.ª edição do evento, que ocorre em São Paulo e Rio de Janeiro de 22 de março a 1.º de abril.

AE, Agência Estado

13 de março de 2012 | 10h59

Desta vez, serão cerca de 80 histórias longas e curtas que ganham o olhar dos documentaristas dos mais variados países. Entre os longas em competição, 25 títulos fazem sua estreia mundial no ETV. "É uma das edições mais plurais que já tivemos. Se em outros anos, principalmente depois do 11 de setembro, a temática política deu o tom à grande maioria das produções, desta vez tudo está mais híbrido. Há desde as grandes questões sociais em foco, como a Primavera Árabe, por exemplo, até temas mais pessoais. É um momento da produção mundial que não aponta na direção de nenhum tema específico, mas sim na pluralidade", comentou Labaki.

Se os temas variam, a forma também. "O leque é muito amplo. Há desde filmes de arte, vídeos amadores, que acabam sendo estruturados na forma de documentário, até filmes com uma dimensão épica, que tentam abraçar diferenças planetárias, que têm investimentos na produção muito altos. Pode-se notar nitidamente uma nova capacidade de financiamento do documentário no mundo. É interessante ficar de olho nisso."

Entre os 80 filmes, sete longas inéditos no Brasil farão sua estreia na mostra competitiva. Desses, seis fazem sua première mundial. Cinco dos nove curtas em competição também são inéditos. Três longas nacionais totalmente inéditos serão apresentados nas Projeções Especiais e outros dois na mostra O Estado das Coisas. Sobre a produção nacional, Labaki ressalta que o número de inscritos se manteve alto, cerca de 100, "sinal do vigor do gênero no País, onde cada vez mais documentários estreiam no cinema". Também como já é tradição, o documentário histórico-cultural ainda é um dos carros-chefes da produção brasileira.

"E este gênero, já clássico no Brasil, passa por uma renovação e ganha outras maneiras de ser feito, com novos formatos e narrativas usadas para se contarem grandes fatos da história e da cultura nacionais." De outro lado, a escola do cinema direto continua forte e ganha mais produção com a facilidade oferecida pelo cinema digital. "Há número expressivo de filmes que documentam processos que acontecem diante da câmera." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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