Dibvulgação
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Variedade é a tônica da edição 2012 do Festival 'É Tudo Verdade'

17ª do evento cinematográfico terá 80 documentários; confira os destaques da programação

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h10

"À vezes não há forma melhor de se aproximar de um universo do que na forma do documentário", declarou ontem Amir Labaki, diretor do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, na ocasião do anúncio da programação da 17.ª edição do evento, que ocorre em São Paulo e Rio de Janeiro de 22 de março a 1.º de abril.

  Desta vez, serão cerca de 80 histórias longas e curtas que ganham o olhar dos documentaristas dos mais variados países. Entre os longas em competição, 25 títulos fazem sua estreia mundial no ETV. "É uma das edições mais plurais que já tivemos. Se em outros anos, principalmente depois do 11 de setembro, a temática política deu o tom à grande maioria das produções, desta vez tudo está mais híbrido. Há desde as grandes questões sociais em foco, como a Primavera Árabe, por exemplo, até temas mais pessoais. É um momento da produção mundial que não aponta na direção de nenhum tema específico, mas sim na pluralidade", comentou Labaki.

  Se os temas variam, a forma também. "O leque é muito amplo. Há desde filmes de arte, vídeos amadores, que acabam sendo estruturados na forma de documentário, até filmes com uma dimensão épica, que tentam abraçar diferenças planetárias, que têm investimentos na produção muito altos. Pode-se notar nitidamente uma nova capacidade de financiamento do documentário no mundo. É interessante ficar de olho nisso."

Entre os 80 filmes, sete longas inéditos no Brasil farão sua estreia na mostra competitiva. Desses, seis fazem sua première mundial. Cinco dos nove curtas em competição também são inéditos. Três longas nacionais totalmente inéditos serão apresentados nas Projeções Especiais e outros dois na mostra O Estado das Coisas. Sobre a produção nacional, Labaki ressalta que o número de inscritos se manteve alto, cerca de 100, "sinal do vigor do gênero no País, onde cada vez mais documentários estreiam no cinema". Também como já é tradição, o documentário histórico-cultural ainda é um dos carros-chefes da produção brasileira. "E este gênero, já clássico no Brasil, passa por uma renovação e ganha outras maneiras de ser feito, com novos formatos e narrativas usadas para se contarem grandes fatos da história e da cultura nacionais." De outro lado, a escola do cinema direto continua forte e ganha mais produção com a facilidade oferecida pelo cinema digital. "Há número expressivo de filmes que documentam processos que acontecem diante da câmera."

  Entre os homenageados do festival, estão Eduardo Coutinho, na retrospectiva nacional, e o argentino Andrés Di Tella. Mais que a totalidade da obra de Coutinho, ganha destaque principalmente a fase de formação do diretor como documentarista. Coutinho - O Caminho até Cabra traz sete títulos e dois debates com a participação do cineasta e colaboradores cruciais para que Cabra Marcado para Morrer (1984) fosse realizado e para que tenha também passado pela restauração pela Cinemateca Brasileira. "É a melhor hora para se analisar desde o período de formação de Coutinho como documentarista até sua consagração como um dos maiores do mundo."

  Já Di Tella surge como o segundo latino-americano a ser homenageado pela Retrospectiva Internacional do Festival. O primeiro foi o cubano Santiago Álvares, na primeira edição do ETV há 17 anos. "O cinema do Andrés é variado e rico. Não é necessariamente político, mas traz, nas mais variadas formas, o viés político. Como brincamos outro dia, além de tudo verdade, tudo é política", analisou Labaki.

  O diretor também ressaltou que a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abracine) premiará pela primeira vez e que a 12ª Conferência Internacional do Documentário discutirá este ano a utilização de técnicas de animação nos filmes de não ficção. Em tempos de vertentes tão plurais nos temas, os realizadores encontram novos formatos para se aproximar cada vez mais da verdade na tela.

Um exemplo de uso criativo e competente da forma para se contar uma história com a maior fidelidade possível é Tropicália, de Marcelo Machado. Ainda inédito, o longa abre a edição paulista do festival. No Rio, a abertura ocorre com Jorge Mautner - O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincout.    

 

Destaques

 

Coração do Brasil, de Daniel Solá Santiago

 

Cuíca de Santo Amaro, de Joel de Almeida e Josias Pires

 

Dino Cazzola, de Andréa Prates e Cleisson Vidal

 

Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, de Joel Pizzini

 

Os Irmãos Roberto, de Ivana Mendes e Tiago Arakilian

 

Paralelo 10, de Silvio Da-Rin

 

Tokiori – Dobras do Tempo, de Paulo Pastorelo

 

Revolução, de Omar Shargawi e Karin El Hakim

 

Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida, de Werner Herzog

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