Vargas Llosa para o público infantil

Aos conhecedores da obra de Mario Vargas Llosa, o personagem Fonchito é bem conhecido - é o menino de aspecto angelical que mantém casos lascivos de amor com mulheres mais velhas nos romances Os Cadernos de Dom Rigoberto e O Elogio à Madrasta. Pois é justamente esse garoto o protagonista da primeira obra infantil do ganhador do mais recente Nobel de literatura, Fonchito e a Lua, lançado agora pela editora Objetiva.

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

O erotismo, obviamente, não está presente: Fonchito, agora, deseja apenas dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da escola. Ela aceita, mas com uma condição: desde que ganhasse a lua como presente. Não bastasse a impossibilidade básica de se oferecer tal presente, Lima, a capital peruana onde vive o jovem casal, raramente é agraciada com noites enluaradas por conta da poluição.

Entristecido por acreditar que a tarefa é impossível de ser cumprida, Fonchito descobre a solução por acaso - e não convém aqui revelá-la. Llosa comentou, durante o lançamento da obra em espanhol, que sempre desejou escrever para crianças. Chegou a rascunhar algumas histórias, mas, insatisfeito com o resultado, guardou-as para si até chegar a essa aventura de Fonchito. "É mais difícil escrever para crianças do que para adultos", disse o escritor peruano. À parte o lugar-comum, a tarefa é, de fato, ingrata e Llosa a resolve com graça, especialmente ao tratar de assuntos como impossibilidades e a necessária criatividade para enfrentá-las. O volume editado pela Objetiva traz ainda as ilustrações originais, de Marta Chicote Juiz, que não abusam da cor, conferindo um tom mais sóbrio ainda que lúdico ao texto, também enxuto e sem soluções fantasiosas.

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