Vargas Llosa lança novo livro em Londres

O escritor peruano Mario Vargas Llosa disse hoje em Londres, durante o lançamento de seu último livro A Linguagem e a Paixão, que está convicto de que "a literatura pode ajudar as pessoas a viver". O livro contém uma reunião de artigos publicados em sua coluna Pedra de Toque, no jornal espanhol El País, durante os últimos 15 anos. A Linguagem e a Paixão foi lançado no Instituto Cervantes, em Londres, cidade onde o escritor mora durante boa parte do ano. Varga Llosa defendeu sua concepção de "literatura comprometida", que tem levado o escritor a crer que "a literatura é uma forma de influir no curso da história". Sobre o jornalismo, Vargas Llosa disse que é uma profissão que o tem acompanhado sempre e que "tem sido muito estimulante e uma fonte muito rica para meu trabalho de escritor". "O jornalismo - acrescentou - é uma maneira de participar do debate cívico", função que Vargas Llsa defende com a mesma convicção com que acredita na "cultura da democracia, da tolerância e da coexistência na legalidade". O livro A Linguagem da Paixão contém artigos jornalísticos que às vezes são notas de viagens, resenhas de livros ou comentários da atualidade. Sempre, sem dúvida, com um toque de polêmica e, segundo disse seu autor, "dirigidos a um público amplo, a um público profano". Um dos temas mais recorrentes nas "pedras de toque" de Vargas Llosa é a ditadura que, "para mim, como peruano e como sul-americano, é um tema constante e obsessivo". "Assim como ocorre com a função da literatura, cuja utilidade para mim é inequívoca e também indemonstrável".O autor de A Festa do Bode (La Fiesta del Chivo) foi crítico em relação à imprensa amarela ou sensacionalista, ainda que tenha reconhecido que "não há como consertar este mal, porque o remédio seria pior que a enfermidade". Por outro lado, Vargas Llosa se declarou firme partidário de que os países da União Européia abram suas fronteiras à imigração econômica, entre outras coisas - argumentou - "porque combatê-la é absolutamente inútil". "A imigração, afirmou, não é uma ameaça, e sim uma bênção para os países".

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