Vargas Llosa estréia como ator no papel de Ulisses

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que completou 70 anos recentemente, revelou, em entrevista à EFE, que usa a "literatura como criação para preencher o vazio existente entre o que se vive e o que se sonha".Vargas Llosa afirmou que se sente "muito perto" de Ulisses, personagem que interpretará nos próximos dias no Festival de Teatro Clássico da cidade de Mérida (sudoeste da Espanha), na obra "Odisseu e Penélope", uma adaptação própria para a "A Odisséia" de Homero.Ulisses possui um espírito intrépido e aventureiro que se reflete na personalidade "fantasiosa" do escritor, que aprecia "a vida real, claro, mas também a vida sonhada, assim como Ulisses, e é por isso que este personagem me parece tão sedutor".Vargas Llosa considera Homero "um herói de ação e imaginação que reflete o personagem corajoso que todos temos internamente, alguém que sonha com aventuras extraordinárias, como conhecer todos os lugares, todas as paisagens, viver todas as experiências, ter uma vida mais rica".Para Vargas Llosa, sua estréia como ator "foi um sonho que virou realidade, já que a ficção foi minha vida e fazer teatro significa viver a ficção, viver o sonho".Vargas Llosa escolheu "o personagem dos personagens" para estrear nos palcos como ator. O escritor está "fascinado" pelo feiticeiro das verdades de Homero e pela destreza e atualidade da história, na qual "os diferentes pontos de vista vão criando ambigüidade, mistérios, suspense"."Um dos principais encantamentos do poema vem do fato de realmente não se saber o quanto há de verdade no que ele conta, até que ponto a fantasia chegou a desnaturalizar as experiências vividas ou se simplesmente coloriu de imaginação um fragmento da realidade. É realmente fascinante", afirma."Um Homero do século 21 não o faria igual, apesar de não lhe faltarem aventuras igualmente horríveis e belas, porque se trata de um poema que reúne muitos mitos e histórias pelas ilhas do Mediterrâneo trezentos anos antes de sua criação", disse o escritor.Segundo Vargas Llosa, "´A Odisséia´ concretizou uma tradição muito rica de poesia oral e escrita, que desde seu nascimento foi adotada como senha de identidade da cultura ocidental, da qual beberam todos os escritores da história".

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