Olivia Harris/Reuters
Olivia Harris/Reuters

Vargas Llosa diz que Rafael Correa e Julian Assange são 'tal e qual'

Presidente equatoriano deu asilo político a Assange na embaixada do país, em Londres

EFE

26 de agosto de 2012 | 20h07

O presidente do Equador, Rafael Correa, e o fundador de Wikileaks, Julian Assange, "são tal e qual" pelos aparentes abusos à liberdade de expressão que seriam cometidos por ambos, segundo declarou o romancista Mario Vargas Llosa em artigo publicado neste domingo, 26, em Lima.

Segundo o Nobel de literatura, existe "tamanho emaranhado de confusões e mentiras" a respeito de Assange que "há milhões de pessoas convencidas no mundo que o desajeitado australiano (...) é um perseguido político dos Estados Unidos que foi salvo na última hora por ninguém menos que o presidente Rafael Correa do Equador".

Correa deu asilo político a Assange, que está asilado na embaixada equatoriana em Londres, mas o governo do Reino Unido insistiu que cumprirá o pedido de extradição feito pela justiça da Suécia contra ele por supostos crimes de abuso sexual.

O governo equatoriano, depois do cubano e do venezuelano, "protagonizou os piores atropelos contra a imprensa na América Latina, fechando emissoras, jornais, arrastando jornalistas para tribunais e jornais que se atreveram a denunciar o tráfico e a corrupção de seu regime", acusou Vargas Llosa.

Na opinião do escritor peruano, o suposto risco que, se for entregue à justiça sueca, o governo da Suécia possa entregá-lo aos Estados Unidos é, por enquanto, "uma presunção desprovida de qualquer fundamento e não tem outro objetivo além de cercar o personagem de uma aura de mártir da liberdade que certamente ele não merece".

Vargas Llosa afirmou que "Assange não é atualmente uma vítima da liberdade de expressão, mas um foragido que utiliza esse pretexto para não ter que responder às acusações que pesam sobre ele como suposto criminoso sexual".

Ao analisar a popularidade que Assange ganhou depois de divulgar milhares de documentos secretos dos Estados Unidos, o escritor disse que seus partidários deveriam lembrar que a outra face da liberdade é a legalidade e que, sem esta, a primeira desaparece logo ou com o tempo.

"A liberdade não é nem pode ser a anarquia, e o direito à informação não pode significar que em um país desapareçam o privado e a confidencialidade e todas as atividades de uma administração devem ser imediatamente públicas e transparentes", acrescentou.

Segundo o consagrado autor, "nas atuais circunstâncias não há razão alguma para considerar Julian Assange um messias da liberdade de expressão, mas sim um oportunista que, graças a seu bom faro, senso de oportunidade e habilidades na informática, montou uma operação escandalosa que lhe deu fama internacional e a falsa sensação de que era todo-poderoso, invulnerável e poderia permitir-se todos os excessos".

Vargas Llosa afirma que Assange se equivocou e "não é impossível que se lhe lembre sobretudo pela involuntária ajuda que prestou, pensando atuar a favor da liberdade, a seus inimigos mais ferrenhos".

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