Vânia Debbs, Truffaut e o melhor Rambo

Leis da Atração

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h12

15H40 NA GLOBO

(Laws of Attraction). EUA, 2003.

Direção de Peter Howitt, com Pierce Brosnan, Julianne Moore, Michael Sheen, Parker Posey, Frances Fisher.

Julianne Moore é uma das grandes atrizes do cinema, especialmente no drama, mas de vez em quando se permite participar de um filme de ação ou de uma comédia. Como esta, sobre dupla de advogados especializada em divórcios. Os dois se sentem atraídos, casam-se e o problema é evitar o que ocorre com a maioria de seus clientes - a separação. Pierce Brosnan foi um bom James Bond. Forma um casal interessante com Julianne. Reprise, colorido, 90 min.

Fahrenheit 451

22 H NA CULTURA

(Fahrenheit 451). Inglaterra, 1966. Direção de François Truffaut, com Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Driffing.

Truffaut vinha numa vertente bastante autoral como um dos grandes do recente - na época - movimento de renovação do cinema francês, a nouvelle vague. Mas depois de Os Incompreendidos, Atirem no Pianista, O Amor aos Vinte Anos (um episódio), Jules e Jim e Um Só Pecado, ele mudou o tom e fez essa ficção científica adaptada de Ray Bradbury. Numa sociedade futura, a função dos bombeiros é atear fogo aos livros. Montag, o protagonista - Oskar Werner, o Jules, é quem faz o papel -, vive dividido entre duas mulheres, ambas interpretadas por Julie Christie. Uma delas vai desenvolver nele o amor pela literatura. A trilha de Bernard Herrmann ressalta o aspecto 'hitchcockiano' da narração, mas o filme é gélido, o que não impediu que virasse cult. Reprise, colorido, 112 min.

Deep Evil: Experiência Mortal

23 H NA REDE BRASIL

(Deep Evil). Canadá, 2001. Direção de Pat Williams, com Lorenzo Lamas, Ona Grauer, Adam Harrington.

Lorenzo Lamas lidera grupo militarizado que invade laboratório no qual uma experiência secreta desenvolveu um ser monstruoso. Pobre dele - o monstro -, o filho de Fernando Lamas e Arlene Dahl bate e arrebenta sem dó. Lorenzo, você sabe, trocou o cinema pela carreira de crooner em night clubs de Nova York. Era, é, um romântico, o cara. Reprise, colorido, 90 min.

A Revolta

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2010. Direção de João Marcelo Gomes e Aly Murtiba.

Dois livros, Os Dias do Demônio e 1957 - A Revolta dos Posseiros, serviram de base para a dupla de diretores no documentário que investiga a luta por terras, no Sudoeste do Paraná, na segunda metade dos anos 1950. Passaram-se mais de 50 anos e a questão fundiária segue latente no País. Reprise, colorido, 30 min.

Rambo Programado Para

Matar

4H10 NA REDE BRASIL

(First Blood). EUA, 1982. Direção de Ted Kotcheff, com Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, David Caruso, Jack Starrett.

Veterano do Vietnã volta para casa, numa pequena cidade no interior da América profunda, e inicia guerra com o xerife. Usando táticas de guerrilha, ele vira o Exército de um homem só. O primeiro Rambo não é só bom, é muito bom. Criado pelo diretor Kotcheff para tratar da dificuldade de reintegração dos homens que haviam participado de uma guerra impopular como a do Sudeste Asiático - o cineasta já havia feito o poderoso, e crítico, Pelos Caminhos do Inferno, sobre a matança de cangurus na Austrália -, o personagem deu uma guinada à direita quando Stallone percebeu seu potencial e o transformou, com o revanchista Rocky, num emblema da era Ronald Reagan. Reprise, colorido, 93 min.

TV Paga

Domicílio Conjugal

14H30 NO TELECINE CULT

(Domicile Conjugal). França, 1970. Direção de François Truffaut, com Jean-Pierre Léaud, Claude Jade.

O primeiro Truffaut do dia - antes de Fahrenheit, que passa à noite na Cultura -, foi feito depois. É o quarto título da série autobiográfica que começou com Os Incompreendidos, em 1959. Antoine Doinel, interpretado por Jean-Pierre Léaud, era o alter ego do autor. Aqui, ele está casado, virou pai, mas está insatisfeito e se envolve com outra mulher. Truffaut era um romântico que desconfiava do romantismo. Foi um crítico ácido e um diretor importante, mas de alguma forma seu cinema terminou assimilando o tom pequeno-burguês que ele adorava fustigar em Cahiers du Cinéma. Reprise, colorido, 100 min.

Árido Movie

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2006. Direção de Lírio Ferreira, com Guilherme Webber, Giulia Gam, José Dumont, Selton Mello, Matheus Nachtergaele.

Apresentador de televisão - é o homem do tempo numa emissora de São Paulo - volta para casa, no Nordeste, após o assassinato do pai, e se defronta com os fantasmas do passado. O árido do título é essencial num filme que discute a água como tragédia nordestina (e brasileira) e a secura das vidas. Sob múltiplos aspectos é brilhante, e o elenco é 10. A montagem de Vânia Debbs é admirável - essa grande profissional também faz um admirável trabalho de síntese no documentário sobre Carlos Marighella, em cartaz nos cinemas. O que o programa tem de discutível é o desfecho, com aquela instalação. Reprise, colorido, 118 min.

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